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Coqueluche volta ao radar: Paraná alerta gestantes e pais sobre vacinas e reforços para evitar casos graves

Rilson Mota por Rilson Mota
14 de janeiro de 2026
em Saúde
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Coqueluche volta ao radar: Paraná alerta gestantes e pais sobre vacinas e reforços para evitar casos graves

Foto: SESA

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Curitiba, 14 de janeiro de 202

A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) reforçou o alerta para a importância da vacinação contra a coqueluche, principalmente em gestantes e crianças menores de cinco anos. A orientação ocorre em um contexto de vigilância ampliada após o aumento de casos registrado no Brasil em 2024. O objetivo é elevar cobertura e reduzir risco de complicações em bebês, especialmente nos primeiros meses de vida, quando a doença pode evoluir com gravidade.

O Plano Nacional de Imunização (PNI) estabelece meta de 95% de cobertura. No Paraná, a vacina pentavalente, aplicada em três doses entre os dois e seis meses, registrou 92,92% de cobertura em 2025. Já a DTP, usada como reforço, ficou em 87,45%, e a dTpa para gestantes alcançou 65,85%. Os dados mostram um ponto crítico: o Estado se aproxima da meta na série inicial, mas perde força nos reforços e na imunização materna.

O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, destacou que as vacinas estão disponíveis há anos pelo SUS e que ajudam a prevenir a doença e reduzir mortalidade infantil. Ele pediu que responsáveis levem crianças para vacinar, com atenção especial às doses de reforço, e reforçou a recomendação para que gestantes se imunizem. A lógica é dupla: proteger a mãe durante a gestação e criar uma barreira de proteção para o recém-nascido, antes da idade adequada para receber as doses iniciais.

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Em 2024, o Paraná registrou 2.819 casos de coqueluche e cinco óbitos, segundo a Sesa. Do total, 548 ocorreram em crianças abaixo de cinco anos, faixa mais vulnerável. Dados preliminares de 2025 indicam redução: até o momento, 299 casos e sem óbitos. A queda, porém, não elimina o risco. Autoridades sanitárias costumam tratar esse tipo de cenário como janela de oportunidade para reforçar vacinação, evitando nova escalada quando o ciclo da doença voltar a subir.

A coqueluche é considerada uma doença cíclica, com possibilidade de aumento de casos em intervalos de três a cinco anos. Por isso, a vigilância e o fortalecimento da imunização precisam ser permanentes, mesmo quando os números melhoram. A vacina está disponível gratuitamente nas mais de 1.850 salas de vacinação em todo o Paraná. A recomendação é checar a caderneta e atualizar doses, evitando atrasos que abrem brecha para transmissão comunitária.

O esquema vacinal infantil inclui três doses da pentavalente aos 2, 4 e 6 meses de vida. Depois, a criança precisa de dois reforços com a vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche), aos 15 meses e aos 4 anos. A cobertura menor nos reforços indica um ponto de atenção: muitas famílias iniciam corretamente o calendário, mas perdem o ritmo na fase em que a criança parece “menos frágil”, o que aumenta vulnerabilidade e favorece circulação da bactéria.

Para gestantes, a indicação é a vacina dTpa (versão acelular contra difteria, tétano e coqueluche) a partir da 20ª semana de gestação, e deve ser aplicada em cada gestação. O objetivo é proteger o bebê nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos maternos, reduzindo risco de internação e de quadros graves antes que a criança complete o esquema da pentavalente. Essa estratégia é central, porque bebês pequenos são os que mais sofrem complicações.

A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis e provoca infecção respiratória altamente contagiosa. No início, os sintomas podem se parecer com resfriado: coriza, tosse seca e febre baixa. Com a evolução, pode haver vômitos e crises intensas de tosse, com risco de complicações graves, especialmente em crianças menores de seis meses, podendo chegar a parada respiratória em casos extremos. Por isso, suspeita exige atenção e avaliação médica.

A transmissão ocorre por gotículas liberadas ao tossir, espirrar ou falar, e o contato próximo aumenta a chance de espalhamento. A Sesa informa que uma pessoa infectada pode contaminar até 17 outras. O período de contágio começa por volta do quinto dia após infecção e pode se estender até a terceira semana de tosse intensa, encerrando após tratamento adequado com antibióticos. Isso reforça a necessidade de diagnóstico e isolamento domiciliar quando indicado.

Além da vacinação, medidas de higiene ajudam a reduzir transmissão: lavar as mãos, evitar contato com pessoas doentes e manter ambientes ventilados. Pacientes com suspeita ou confirmação devem ficar em casa e usar máscara para diminuir risco de contágio, especialmente perto de bebês e gestantes. A recomendação prática é simples: vacina em dia, atenção à tosse persistente e busca precoce por avaliação. A coqueluche é prevenível, mas pode ser perigosa quando subestimada.

A baixa cobertura de dTpa em gestantes — 65,85% — acende um alerta específico. Em saúde pública, a proteção do recém-nascido depende da cobertura materna, porque o bebê nasce “emprestando” imunidade da mãe. Quando a taxa cai, o risco se desloca para o período mais vulnerável da vida. Por isso, a estratégia de vacinação na gestação é vista como prioridade, não como detalhe. E o reforço de comunicação precisa alcançar pré-natal, maternidades e unidades básicas.

Outro ponto é a cobertura dos reforços infantis: 87,45% na DTP. Em termos epidemiológicos, a queda nos reforços cria bolsões de suscetibilidade e mantém circulação da bactéria, aumentando chance de atingir bebês ainda não completamente imunizados. É um efeito indireto: quando crianças maiores deixam de reforçar, elas podem adoecer e transmitir para irmãos menores. A proteção coletiva depende de continuidade do calendário, não apenas do começo correto.

A Sesa lembra que o SUS mantém as vacinas disponíveis e que o Estado conta com ampla rede de salas de vacinação. O desafio passa por adesão, informação e rotina. Em muitos casos, o atraso vem de dificuldade de conciliar horários, falta de atualização da caderneta, mudanças de endereço e desinformação sobre efeitos adversos. A resposta mais eficaz costuma ser combinar oferta acessível com comunicação objetiva e busca ativa, especialmente em territórios onde cobertura está abaixo do necessário.

Para famílias, o recado é prático: checar a caderneta e não tratar reforço como “opcional”. Para gestantes, a recomendação é conversar no pré-natal e agendar a dTpa a partir da 20ª semana. Em termos de risco-benefício, coqueluche em bebê pequeno tem potencial de gravidade que supera, com folga, desconfortos comuns da vacinação. O foco é prevenção antes do pico de casos, não reação quando a doença já está circulando amplamente.

A doença pode confundir no começo, e isso é parte do risco. Tosse persistente, principalmente com crises intensas, vômitos após tossir e sinais de cansaço respiratório em crianças pequenas devem acender sinal de alerta. Em caso de suspeita, a orientação é procurar atendimento e seguir orientações de isolamento e tratamento. A resposta rápida reduz transmissão e protege pessoas vulneráveis em casa, principalmente recém-nascidos e gestantes.

O cenário de redução de casos em 2025 é positivo, mas não deve produzir relaxamento. Doenças cíclicas se aproveitam de janelas de baixa percepção para voltar. Em saúde pública, o pior momento para “lembrar” da vacina é quando o surto já começou. O melhor momento é agora, quando há rede disponível, informação atualizada e tempo para elevar cobertura. Coqueluche não é “doença do passado”: é risco presente quando a vacina fica para depois.


Comentário exclusivo

Os números de cobertura do Paraná contam uma história clássica da imunização: a série inicial vai relativamente bem, mas os reforços e a vacina na gestação ficam para trás. Isso não é mero detalhe administrativo. Em epidemiologia, a proteção contra coqueluche depende do “timing” e da continuidade. A pentavalente aos 2, 4 e 6 meses constrói a primeira barreira, mas é o reforço (DTP) que sustenta proteção ao longo dos anos. Sem reforço, a barreira racha.

O dado mais sensível é a dTpa em gestantes: 65,85%. Em termos de risco, isso significa que uma parcela relevante de recém-nascidos pode iniciar a vida com menor proteção passiva. Bebês pequenos são o grupo que mais preocupa porque ainda não completaram o esquema e podem evoluir rapidamente. A vacinação materna funciona como “ponte imunológica” até o bebê ter idade e doses suficientes. Quando essa ponte falha, aumenta a probabilidade de internação e de casos graves que poderiam ser evitados.

A coqueluche engana por começar como resfriado. Esse ponto é crucial na comunicação: se a população espera uma doença “óbvia”, ela chega tarde ao diagnóstico. Tosse persistente e intensa não deve ser normalizada, especialmente quando há vômitos após crises ou sinais de esforço respiratório. A doença é altamente contagiosa e a Sesa menciona potencial de transmissão para até 17 pessoas. Em ambiente doméstico, isso é explosivo: um caso em criança maior pode chegar ao bebê da casa rapidamente.

O componente cíclico (picos a cada 3 a 5 anos) também precisa ser entendido com maturidade. A redução de 2025 é boa notícia, mas não é garantia de controle permanente. Ciclos retornam justamente quando a adesão cai e a memória coletiva relaxa. O risco de “efeito pêndulo” é real: baixa percepção → menor vacinação → retorno do aumento. Política de imunização não pode depender do susto; precisa de rotina, calendário e busca ativa. Prevenir é mais barato e mais humano.

Há uma lacuna operacional que merece correção: reforços infantis em 87,45% estão abaixo da meta de 95%. Em saúde pública, isso cria bolsões de suscetibilidade. E esses bolsões não afetam apenas quem não vacinou; eles afetam o bebê que ainda não pode se proteger sozinho. É a lógica da proteção coletiva. Portanto, reforço não é “apenas para a criança maior”; é proteção indireta para os mais vulneráveis. Esse argumento precisa estar no centro das campanhas.

A comunicação deve ser objetiva e ancorada em serviço: onde vacinar, quais idades, quais reforços e qual janela da gestação. O Paraná tem mais de 1.850 salas de vacinação, o que reduz a barreira de acesso. O problema passa a ser comportamento e logística familiar. Uma estratégia eficaz é usar o pré-natal como “ponto de decisão”, garantindo que a dTpa seja oferecida ativamente e registrada. O mesmo vale para creches e escolas no reforço dos quatro anos.

O recado final é direto: coqueluche é prevenível, mas não perdoa descuido quando atinge bebês. A saúde pública funciona melhor quando age antes do surto e quando trata reforço como parte do pacote, não como “complemento”. A meta de 95% não é burocracia; é um número ligado ao controle de transmissão. Se gestantes e responsáveis fizerem sua parte — e se o sistema facilitar — o Estado reduz casos, internações e mortes. É um ganho coletivo e imediato.

Por Pr. Rilson Mota

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