Eles contaram que apenas dois funcionários faziam a checagem, que levava, em média, duas horas. Passageiros que precisavam fazer conexão tiveram prioridade.
Homem discute com segurança no aeroporto. Passageiros que desembarcaram dos voos internacionais no Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, na manhã desta quarta-feira (15), enfrentaram longas filas para apresentar o comprovante de vacinação contra a Covid. O documento está sendo exigido pela Agência Nacional e Vigilância Sanitária (Anvisa).
Irritado, um homem chegou a discutir com um funcionário por causa da demora.
Quem chegava do exterior disse que apenas dois funcionários faziam a checagem, que levava, em média, duas horas. Segundo os relatos, aqueles que precisavam fazer conexão tiveram prioridade.
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Passageiros enfrentam filas para apresentar o comprovante de vacinação no Galeão — Foto: Alba Valéria Mendonça/g1 Rio
A alemã Karoline Gutöhrlein, que veio no voo de Lisboa para o Rio, chegou a mandar uma mensagem para o primo e a namorada, que a esperavam há mais de duas horas no portão desembarque.
“Vai demorar. A fila é imensa. Tem uma anaconda de gente na minha frente”.
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Alex com a prima Karoline e Ítala no desembarque do Aeroporto do Galeão — Foto: Alba Valéria Mendonça/ g1
Karoline, que mora em Berlim e voltou ao Rio pela primeira vez desde o início da pandemia, disse que foram dez horas de voo e duas de fila.
“Ainda tiveram de passar o pessoal que ia fazer conexão na frente. Todo mundo saiu correndo para não perder os voos. Tem muita criança, muito idoso. Houve até uma confusão, gritaria. Uma senhora que estava com duas crianças passou mal. Chamaram um médico, mas o socorro demorou e todo mundo começou a gritar. As crianças estavam assustadas” contou a alemã.
‘Caos total’, diz homem que veio de Miami
Rafael Ferrão, funcionário da embaixada do Canadá, classificou sua chegada ao aeroporto como “um caos total”. Embora o voo vindo de Miami tenha chegado ao Rio na hora – às 6h20 – ele, a mulher e a filha, de 18 meses, só conseguiram sair do setor de desembarque quase três horas depois, às 9h10.
“A gente quer logo chegar e não consegue. Acho que proporcionalmente levei mais tempo no Tom Jobim que voando de Dublin pra cá”.
“Não tem organização. São apenas dois funcionários para checar a documentação de todos os passageiros. Eles começaram pedindo uma checagem mais detalhada, mas tem quase mil pessoas lá dentro. Chegaram três voos no mesmo horário. É um corredor, sem espaço, sem ar-condicionado”, contou Ferrão.
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Rafael Ferrão com a filha no desembarque do Aeroporto do Galeão — Foto: Alba Valéria Mendonça/ g1
Ele disse que muitas pessoas passaram mal, inclusive crianças.
“Aí resolveram apressar a vistoria, eles mal verificam o comprovante de vacina. Aí depois dessa aglomeração, a gente ainda tem de tirar a máscara para passar pela máquina de reconhecimento facial”.
Atrasada, uma mulher teve que correr pelo salão de desembarque para não perder a conexão.
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Passageira que chegou de Lisboa corre para não perder a conexão — Foto: Alba Valéria Mendonça/g1 Rio
Moradora de Nova York, Aline Nascimento chegou de Miami com os dois filhos pequenos para passar as festas de fim de ano com a família no Rio. Numa suposta fila de prioridade, ela consegui sair do desembarque duas horas e meia depois de o avião pousar.
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A Anvisa informou que começou a cobrar o comprovante de vacinação na segunda-feira (13), em cumprimento à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso que torna a apresentação obrigatória.
O ministro Luís Roberto Barroso esclareceu que o controle do comprovante de vacinação pode ser feito, como regra, pelas companhias aéreas no momento do embarque, como já é feito com o exame de PCR e a declaração à Anvisa. Não há qualquer razão para tumulto na chegada ao Brasil, pois o controle já terá sido feito.
A esse propósito, consultado pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), o gabinete do ministro já repassou essa orientação. Nos aeroportos brasileiros, bastará uma fiscalização por amostragem, sem causar filas.
O que diz a Anvisa
A Anvisa afirmou na terça-feira que nem todos os passageiros que desembarcam nos aeroportos do Brasil estão sendo fiscalizados para checar se possuem o comprovante de vacinação (ou passaporte da vacina).
A agência disse ainda que suas equipes nos aeroportos abordam passageiros de forma “amostral” para verificar o cumprimento da exigência e que ainda fazem “ações de inteligência” a partir dos dados declarados pelos viajantes. Segundo o órgão, isso permite ações voltadas especificamente para os “voos e viajantes de maior preocupação”.
Por Alba Valéria Mendonça, g1 Rio de Janeiro






