Matinho, 08 de janeiro de 2026
Poucos dias após o início das câmeras do Olho Vivo Paraná no Litoral, um caso de estelionato em Matinhos foi esclarecido no mesmo dia com apoio do videomonitoramento. Segundo a administração estadual, a vítima relatou ter sido distraída por um casal durante oferta de venda próxima ao ferry boat entre Guaratuba e Matinhos, perdendo cartão bancário e senha. A partir desse registro, iniciou-se rastreamento digital com dados e imagens integrados.
Horas depois, houve tentativa de uso do cartão em um posto de combustíveis de Paranaguá, o que gerou novos pontos de referência para a apuração. Combinando imagens do estabelecimento e leituras automáticas de placas, as câmeras inteligentes identificaram o veículo associado ao casal. A partir daí, equipes conseguiram reconstituir o trajeto até o local inicial e acompanhar deslocamentos seguintes, consolidando horários, vias e direção de fuga sem depender de testemunhos.
Com o cercamento digital, o automóvel foi monitorado até Curitiba, onde o principal suspeito foi localizado no mesmo dia, conforme informado pelas autoridades. Ele foi conduzido para Matinhos para formalização do procedimento, enquanto o sistema mantinha registro do deslocamento e dos pontos de passagem. Durante a verificação, foram encontrados cartões bancários adicionais, indicando possível repetição do método. O caso segue sob análise das instâncias competentes técnica.
Segundo o governo, a expansão do Olho Vivo Paraná recebeu investimento de R$ 400 milhões e opera com cruzamento de dados em tempo real, emissão automática de alertas e busca por padrões em pessoas e veículos. A coordenação envolve Secretaria da Segurança Pública, Secretaria das Cidades e a Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados. O desenho prevê conformidade com a LGPD, com controle de acesso e auditoria externa periódica.
O plano estadual prevê instalar 1.500 novas câmeras, com entregas mensais em torno de 300 unidades, e ampliar a rede para 26.500 pontos nos próximos anos, somando aquisições municipais e equipamentos já operados pela Sesp. Para gestores, o modelo inaugura investigação assistida, com pesquisa por características e alertas automatizados, sem depender apenas de monitoramento humano. A estrutura também apoia ocorrências diversas e descarte de suspeitas na alta temporada de verão.
Comentário exclusivo e técnico
O caso ilustra um uso clássico de “cercamento digital”: captura de imagens, extração de metadados (placa, cor, modelo, direção), indexação temporal e correlação com um evento âncora (a tentativa de compra em Paranaguá). Tecnicamente, isso reduz o espaço de busca e permite reconstruir rotas por janela de tempo, algo impraticável só com patrulhamento visual. O ganho real não está na câmera, mas no software de correlação e na disciplina de registro com critérios, governança, validação humana e relatórios auditáveis padronizados.
A afirmação de que o sistema “identifica comportamentos fora da normalidade” exige leitura técnica cuidadosa. Em geral, isso significa modelos de detecção de anomalias treinados com padrões de fluxo e permanência (veículo parado em local atípico, retorno repetido, rota incompatível com tráfego). Esses modelos são sensíveis a contexto e podem gerar falsos positivos, especialmente em alta temporada. Por isso, a decisão operacional precisa de camadas: score de risco, conferência por analista e regras explícitas de acionamento com registro e revisão.
Do ponto de vista de LGPD, a escala citada (de milhares para dezenas de milhares de câmeras) obriga a tratar videodados como ativo sensível: finalidade definida, minimização, retenção limitada e trilhas de acesso. A arquitetura precisa separar captura, armazenamento e análise, com criptografia em repouso e em trânsito, além de perfis de usuário por função. Sem logs imutáveis e auditoria independente, qualquer promessa de conformidade vira marketing. Transparência pública sobre políticas de retenção também reduz judicialização e confiança no sistema.
A integração entre rede estadual e municipal é o diferencial mais complexo: não é plug-and-play. Ela demanda padronização de protocolos (ONVIF/RTSP), catálogos de câmeras, sincronização de tempo (NTP), e uma camada de ingestão que normalize eventos para um data lake. Se cada município compra modelos diferentes, a interoperabilidade vira custo. O ganho vem quando alertas, placas e rotas são compartilhados com latência baixa e com acordos formais de responsabilidade e custódia incluindo SLAs, testes periódicos, backup e plano de continuidade.
Para a investigação, o valor probatório de vídeo depende menos da “IA” e mais da cadeia de integridade: carimbo de tempo confiável, hash do arquivo, armazenamento WORM e documentação de quem acessou e exportou cada trecho. Sem isso, a defesa pode questionar edição, lacunas ou autoria. O relato de que o suspeito foi localizado no mesmo dia é um resultado operacional; o desafio é converter esse resultado em prova robusta, preservando imagens originais, relatórios de alerta e dados bancários correlatos.
Por Pr. Rilson Mota
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