Guarapuava, 13 de janeiro de 2026
A duplicação e restauração da PRC-466 entre Pitanga e Turvo, no Centro do Paraná, avançou para uma etapa decisiva nesta terça-feira (13), com o início da pavimentação em concreto. As primeiras placas foram executadas no perímetro urbano de Pitanga, com uso de máquina pavimentadora, e os serviços devem seguir nos próximos meses no sentido Turvo. O trecho total tem 45,4 quilômetros, e a obra é conduzida pelo DER/PR.
O novo pavimento será do tipo rígido, em concreto, com 23 centímetros de espessura e vida útil estimada em 30 anos. Em termos de engenharia viária, isso significa maior resistência a deformações, melhor desempenho sob cargas pesadas e menor frequência de intervenções corretivas. A expectativa é que o resultado seja uma rodovia mais estável, com maior aderência, melhor previsibilidade de frenagem e redução de custos de conservação ao longo das próximas décadas.
O investimento informado é de R$ 514,2 milhões, em obra sob responsabilidade do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL). O empreendimento, além de ampliar capacidade, pretende qualificar o corredor logístico regional, reduzindo gargalos de tráfego e tempo de viagem. Em rodovias de ligação intermunicipal, duplicação combinada com requalificação estrutural costuma produzir ganhos simultâneos de produtividade e segurança viária.
A execução total atingiu 11,84%, com avanço concentrado em terraplenagem, implantação de drenagem e construção de estruturas. Entre os serviços já destacados está o novo viaduto no entroncamento da PRC-466 com a PR-239 e a PR-460. Esse tipo de dispositivo reduz conflitos de cruzamento, diminui pontos de colisão e melhora fluidez em entroncamentos críticos. Na prática, viadutos funcionam como “filtros de risco” ao separar fluxos e eliminar manobras perigosas.
A obra prevê ainda mais dois viadutos: um em Pitanga, no entroncamento com a Avenida Universitária, e outro no entroncamento com a PR-456. Também está prevista uma passarela para pedestres em Pitanga e novas pontes sobre o Rio Carazinho e o Rio Bonito. Em projetos modernos, a combinação de travessias seguras e obras de arte especiais é central para reduzir atropelamentos e colisões laterais em pontos de transição urbano-rural.
Outro componente técnico relevante é a preparação da pista existente para receber o concreto, aproveitando o pavimento asfáltico como base, método conhecido como whitetopping. Essa técnica busca acelerar a reabilitação estrutural, reduzir volumes de demolição e oferecer desempenho superior em trechos com desgaste. Em termos de manutenção, o whitetopping tende a entregar maior durabilidade quando o preparo da base, juntas e drenagem é executado com rigor, evitando infiltrações e bombeamento de finos.
O projeto inclui retornos em nível, sinalização horizontal e vertical, dispositivos de segurança viária, calçadas, abrigos de ônibus e iluminação em viadutos e retornos, além de outras melhorias. Esses itens complementam a duplicação: rodovia segura não é só pista nova, mas também visibilidade noturna, travessias definidas, contenções e comunicação clara ao motorista. A previsibilidade de comportamento reduz decisões bruscas e, por consequência, reduz acidentes de alta energia.
A previsão divulgada é concluir os serviços em abril do ano que vem. Até lá, o período de obra exige atenção: alterações de tráfego, desvios e operação de máquinas ampliam risco se não houver gestão de sinalização, fiscalização e comunicação. Em obras de duplicação, o “risco provisório” é real e precisa ser tratado como parte do projeto. Quando bem gerido, o canteiro vira transição segura para uma rodovia com maior capacidade e menor sinistralidade.
Comentário exclusivo
O início da concretagem é mais do que uma etapa simbólica: é o momento em que o projeto começa a materializar o ganho de segurança no pavimento. Concreto com 23 cm e vida útil estimada em 30 anos significa menos deformação, menos buraco, menos remendo e mais aderência previsível. Isso reduz um conjunto de acidentes típicos: perda de controle por irregularidade, aquaplanagem em pontos de deformação e colisões por frenagem tardia em superfície degradada. A rodovia passa a “se comportar” melhor.
A duplicação em 45,4 km é um fator de segurança por reduzir conflito frontal, que é o tipo de acidente mais letal em rodovia de pista simples. Não dá para afirmar um número exato de vidas salvas sem série histórica e modelo estatístico local, mas o impacto é conhecido na literatura de segurança viária: separar fluxos opostos e organizar ultrapassagens reduz drasticamente colisões de alta energia. Em termos práticos, a duplicação diminui o “momento de decisão arriscada” do motorista no caminhão e no carro.
Os viadutos e a passarela são, tecnicamente, dispositivos de eliminação de conflito. Cada cruzamento em nível é um ponto de risco, porque combina velocidades altas com manobras laterais e travessias. Quando você eleva, separa e canaliza, reduz probabilidade e severidade. Em áreas urbanas como Pitanga, isso é ainda mais importante, porque mistura pedestres, ônibus e tráfego local com fluxo rodoviário. A passarela, se bem localizada e acessível, corta um vetor silencioso de tragédia: atropelamento em travessia improvisada.
A drenagem e o whitetopping são o “segredo” que decide se a obra entrega 30 anos ou 30 meses de dor de cabeça. Pavimento rígido depende de base estável e drenagem eficiente. Se água infiltra, o concreto sofre bombeamento e perda de suporte, gerando fissuras e degraus. Então a discussão não pode ser só “concreto é melhor”: concreto bem feito é melhor. O benefício real vem da execução: juntas, cura, controle de qualidade e drenagem funcionando em chuva forte.
Em termos econômicos regionais, a obra reduz custo logístico, melhora previsibilidade de entrega, fortalece cadeias agroindustriais e reduz tempo de deslocamento para serviços (saúde, educação, comércio). Segurança viária também é economia: menos acidentes significa menos internações, menos perícias, menos afastamentos do trabalho e menos famílias quebradas por luto ou sequelas. A sociedade costuma ver obra como “asfalto”; na prática, é política pública de saúde, porque acidente é uma das maiores causas de trauma no país.
O ponto crítico é não transformar a obra em propaganda e esquecer o básico: gestão do risco durante o canteiro e manutenção de padrões após a entrega. Rodovia duplicada sem fiscalização, sem sinalização consistente e sem controle de velocidade vira convite a excesso de confiança. A promessa de “várias vidas salvas” se cumpre quando o projeto é completo: engenharia + educação + fiscalização. Se o Estado fizer a parte dele com seriedade, a PRC-466 pode virar referência regional de segurança e eficiência — e isso muda destinos.
Por Pr. Rilson Mota
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