Família relata que médicos negaram atender paciente por ‘não ser protocolo do hospital’
Policiais militares arrombaram um cadeado da Unidade de Reabilitação do Hospital de Clínicas (HC-UFPR), em Curitiba, para socorrer uma paciente, na madrugada desta sexta-feira (18). Enquanto acompanhava a mãe, de 73 anos, internada há três dias na unidade, ela teria começado a passar mal e sentir dores.
De acordo com a família, os médicos se recusaram a atender a acompanhante, pois não seria o protocolo do hospital. A irmã dela, Patrícia Lara da Silva, gravou o momento em que os policiais abrem a porta da ala (vídeo abaixo).
A irmã da paciente conta que os médicos explicaram que a familiar não poderia ser atendida, pois teria que ir para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) antes de ser encaminhada ao hospital.
“Simplesmente, o hospital disse que não atenderia, pois não era protocolo, e que teríamos que encaminhar ela para uma UPA. A minha irmã me ligou dizendo que estava passando mal, morrendo de dor e chorando. Cheguei no hospital e avisei que não levaria ela para a UPA, com todos os problemas cardíacos que tem, seria muito arriscado”, relatou.
Chegando ao hospital, segundo o relato, Patrícia Lara deparou-se com a irmã gritando, pedindo socorro, sem ninguém ajudar.
“Ela estava em uma salinha, na maca, com a cabeça na pia e vomitando. As médicas me falaram de novo que não poderiam atendê-la porque era protocolo do hospital. Eles falaram que eu teria que chamar o SAMU. Vendo toda a situação, eu chamei a Polícia Militar que chegou e comentou que era omissão de atendimento. O policial foi nos seguranças ali e chamamos o SAMU”, disse.
Cadeado na Unidade de Reabilitação do HC
Patrícia conta que saiu de onde a irmã estava para buscar o socorro do SAMU, que encontrava-se ao lado de fora do HC. Porém, na volta, um cadeado trancava a porta da ala.
“A ambulância chegou e prontamente disse que atenderia, mas que não poderia entrar, porque era um hospital. Nesse meio tempo, na hora que fomos buscar ela, a porta estava trancada. O policial perguntou como que eles trancam o local com um paciente dentro. Todo mundo disse que não teria a chave para abrir. Um segurança disse que estava com a chave e não poderia abrir, porque era um terceirizado”, disse.
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“O PM arrombou o cadeado, eu filmei tudo. A menina do SAMU estava no telefone falando que era uma loucura. Nenhum funcionário do hospital apareceu. Ela foi encaminhada para a UPA da CIC”, detalhou à reportagem da Banda B.
“Amigos de policiais”
Após chegar na UPA da CIC, a paciente realizou exames e foi encaminhada novamente ao Hospital de Clínicas. Assim que a irmã retornou à unidade hospitalar, Patrícia tentou descobrir o estado de saúde dela, porém, relata que foi provocada por um funcionário.
“O encarregado disse que eu não poderia entrar, pra saber o estado clínico. Ele disse que eu tenho que ligar para o médico entre 16h e 17h. Falou que eu poderia até ‘chamar meus amiguinhos policiais’ que não adiantaram nada”, contou.
O advogado da família, Igor José Ogar, disse que irá atuar no caso para que situações como esta não voltem a acontecer.
“Podemos observar um ato clássico de omissão de socorro e desrespeito ao paciente e aos familiares. Temos que atuar de modo exemplar para que os hospitais mudem, em especial essa unidade, mudem os protocolos. Esses protocolos não podem ir contra a Constituição”, completou Ogar.
Outro lado
A Banda B fez contato com o Hospital de Clínicas e aguarda retorno.
Vídeo
Patrícia gravou toda a ação dos PMs para poder provar o que aconteceu. O vídeo mostra o momento em que um policial abre o cadeado e a paciente deitada em uma maca. Um Boletim de Ocorrência foi feito durante a madrugada.






