A categoria está insatisfeita com o reajuste de 3% anunciado pelo governo do estado e reivindica 34% de perda salarial
Um grupo de policiais civis de Curitiba aproveitam a participação do governador do Paraná, Carlos Massa ‘Ratinho’ Junior, em um evento com a direção do Departamento de Trânsito (Detran-PR), no bairro Tarumã, na manhã desta segunda-feira (11), para protestar. Eles chegaram a entrar em atrito com a tropa de choque da Polícia Militar (PM).
No sábado (9), uma promessa de invadir a solenidade, no que poderia terminar como “a maior briga épica do mundo”, se tornou pública por meio das redes sociais e gerou apreensão.
Inconformada com a proposta de reajuste de 3% ofertada pelo governo do estado, a categoria reivindica 34% de perda salarial. Os policiais civis afirmam que estão há sete anos sem a reposição da inflação.
Liderados pelo Sindicato das Classes Policiais do Paraná (Sinclapol), os manifestantes estão em frente ao prédio do Detran-PR, onde acontece a inauguração do Detranzinho – uma minicidade construída no terreno que hoje abriga o pátio de veículos do órgão estadual -, com faixas e gritando palavras de ordem.
“O objetivo, depois de três anos de espera, é que o governador comece a governar, que venha falar conosco. Não somos inimigos dele, somos funcionários públicos, que carregam o piano nas costas”,
afirma o presidente do Sinclapol, Kamil Salmen.
Ele afirmou para a reportagem da Banda B, no local do ato, que a categoria exige do governo do estado que ela seja remunerada como profissional de nível superior e não como nível técnico.
“Há mais de dez anos, entramos na instituição com terceiro grau. Para ser policial da base da polícia civil, é obrigado a ter terceiro grau, mas ganhamos como segundo grau, como técnico. E, dos técnicos, é o mais baixo. Ele [Ratinho Jr] tem que mandar o projeto dele colocando os policiais civis da base como funcionários de nível superior.”
Ameaça de invasão e clima de tensão
A reportagem da Banda B acompanhou a solenidade no Detran-PR, na manhã desta segunda, e pode constatar que a invasão por parte dos policiais civis, liderados pelo Sinclapol, não passou da ameaça.
Eles acabaram impedidos pelos policiais militares que faziam a segurança no local e houve atrito entres as partes e os PMs chegaram a ser chamados de “traidores” pelos manifestantes.
“Seus bostas, estamos lutando por vocês”,
gritou Salmen.

Foto: Antonio Nascimento/Banda B.
Na tentativa de dispersar os manifestantes, a tropa de choque da PM usou spray de pimenta contra os manifestantes. Na saída do prédio do Detran-PR, Ratinho Jr comentou a medida.
“Não acompanhei essa questão. Se usou [spray de pimenta], é porque teve algum motivo. Agora, vamos fazer um levantamento, para ver quem está errado no processo, para aí tomar as decisões”, disse o governador.
Ratinho Jr considera o protesto um ato eleitoreiro, por conta de disputas internas dentro do Sinclapol.
“Eles têm o direito de protestar. Existe, infelizmente, uma briga sindical interna, porque tem eleição do Sindicato dos Policiais Civis, que vai acontecer em maio. Isso também acaba fazendo com que cada chapa do sindicato quer se mostrar mais importante para os seus filiados. E, muitas vezes, acaba criando algum tipo de constrangimento para a população, que não gosta de baderna. Mas, enfim, essa questão sindical a gente não pode entrar dentro, porque que é uma matéria interna”,
declarou.
Clima tenso na véspera do ato
O clima desde o fim de semana, no entanto, era de apreensão. No sábado (9), um vídeo com declarações em tom de ameaça se alastrou pelas redes sociais. Nele, Salmen convocava os policiais civis a participarem da manifestação no Detran-PR e prometia a invasão da solenidade para protestar pelos baixos salários.
O presidente do Sinclapol chegou a afirmar que nem mesmo a Polícia Militar iria impedir os policiais civis de entrarem na inauguração do Detranzinho. Ele também mandou um recado diretamente ao governador do Paraná.
“O senhor tem três condições aí: ou o senhor recebe a gente e saiba ouvir nossas reivindicações, ou o senhor não vai, ou o senhor vai fazer a maior briga épica do mundo. O senhor vai fazer a polícia civil brigar com a polícia militar? Isso não vai acontecer. A nossa coirmã não é obrigada a fazer nada que não é ilegal. Nenhuma ordem ilegal pode ser cumprida. E duvido que eles vão cumprir a ordem de não nos deixar entrar”, disse.
E continuou:
“Nós não somos jagunços, nós somos policiais e policial anda armado. Não vamos lá fazer nenhuma besteira. Vamos lá para tentar falar com o senhor e demonstrar nossa insatisfação. Policiais, vão, a partir das 9h, no Detran. E, governador, nós vamos entrar.”
Fonte: Banda B






