Curitiba, 13 de janeiro de 2026
O Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR), por meio da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), instaurou apuração preliminar para verificar denúncias que citam a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) em um possível esquema de repasses irregulares. O procedimento foi aberto após o envio de representações ao órgão e a circulação de áudios em plataformas digitais, que motivaram repercussão. Nesta fase, o MPF busca confirmar autenticidade, contexto e eventual materialidade eleitoral.
Os áudios, cuja origem e integridade ainda serão avaliadas, sugerem a existência de descontos ou contribuições compulsórias internas, prática popularmente chamada de “rachadinha”, com finalidade política. O conteúdo aponta para suposta destinação de recursos da empresa para cobrir um déficit estimado em R$ 4 milhões em campanha de 2022 do governador Ratinho Jr. O deputado Arilson Chiorato (PT) defendeu investigação e resposta institucional com transparência, preservando direitos e evitando prejulgamentos.
Além da atuação da PRE, parlamentares informaram ter protocolado representações em diferentes instâncias de controle. Arilson e Requião Filho (PDT) citaram comunicações à Polícia Federal, ao Ministério Público do Paraná, ao Tribunal de Contas do Estado e à Comissão de Valores Mobiliários, entre outros destinos. A estratégia busca que cada órgão avalie o caso conforme sua competência: eleitoral, penal, administrativa, contábil e regulatória com protocolos próprios, prazos e coleta formal.
Os mesmos deputados encaminharam pedido de informações à Casa Civil, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). O requerimento solicita dados sobre contratos, nomeações, exonerações e providências adotadas pelo governo estadual após a divulgação das gravações. Em apurações desse tipo, a documentação administrativa é central: ela permite reconstruir fluxos de decisão, identificar responsáveis por autorizações e mapear eventuais anomalias em pagamentos, aditivos e fiscalizações ao longo período investigado.
No âmbito eleitoral, a PRE pode apurar se houve financiamento irregular, abuso de poder econômico ou uso indevido de estrutura pública em benefício de candidatura. A análise costuma começar pela cadeia de custódia do material: quem gravou, quando, como foi disseminado e se há edição. Em paralelo, são buscados elementos externos, como extratos, notas, contratos e depoimentos, para verificar se as falas se conectam a atos concretos e mensuráveis juridicamente.
A menção à Comissão de Valores Mobiliários indica preocupação com governança, já que a Sanepar é uma companhia de economia mista com acionistas privados e obrigações de transparência. Se houver desvio de finalidade ou distorção contábil, o caso pode repercutir em deveres de divulgação e responsabilização de administradores. Por isso, a apuração tende a cruzar rotinas de compliance, auditorias internas, relatórios de contratos e regras de integridade aplicáveis a estatais.
Até o momento, a abertura da apuração não representa conclusão sobre veracidade das acusações, mas sinaliza que o MPF recebeu elementos considerados suficientes para verificação inicial. A empresa e autoridades citadas poderão apresentar esclarecimentos, documentos e versões. Em casos envolvendo áudios, a perícia de voz e a verificação de contexto são determinantes para evitar injustiças. O desfecho pode variar de arquivamento a medidas judiciais, conforme as provas que surjam depois.
O caso reabre o debate sobre uso político de estruturas estatais e sobre mecanismos de controle em empresas públicas que operam serviços essenciais. Quando suspeitas envolvem financiamento eleitoral, a resposta institucional precisa ser rápida, técnica e transparente, para proteger tanto a lisura do processo democrático quanto a reputação de quem é citado sem prova. A PRE deverá definir diligências e prazos. Enquanto isso, sociedade, acionistas e consumidores aguardam esclarecimentos verificáveis.
Créditos: Reportagem extraída do site de notícias independente de Mareli Martins (usado de acordo com a Cláusula 27a da Lei de Direitos Autorais).
Comentário exclusivo
Quando surgem suspeitas de desvio em empresa de saneamento para fins eleitorais, o problema extrapola política: é risco de saúde pública. Saneamento é infraestrutura que previne doenças, reduz internações e protege crianças. Se recursos forem desviados para caixa de campanha, o dano é duplo: corrói a democracia e degrada serviço essencial. A apuração da PRE é necessária justamente para separar rumor de evidência e, se houver ilícito, rastrear fluxo financeiro com rigor sem espetacularização, com transparência e garantias de contraditório.
Em estatais, esquemas de “rachadinha” e caixa dois, quando existem, raramente são improviso: dependem de hierarquia, medo, normalização e controles frágeis. O caminho do dinheiro costuma passar por folhas de pagamento, contratos terceirizados, aditivos e notas frias, sempre mascarado por justificativas burocráticas. Por isso, o que importa é auditoria de trilha: quem autorizou, quem fiscalizou, quem assinou, quem recebeu. Sem trilha, a verdade vira narrativa. E narrativa, em ano pré-eleitoral, serve a todos, menos ao cidadão que paga a conta.
A presença da CVM no radar mostra outra camada: a Sanepar tem acionistas e deveres de governança. Se houver manipulação de despesas, conflitos de interesse ou uso político de estrutura, o impacto não fica restrito ao Paraná; ele alcança mercado, crédito e confiança institucional. Governança não é jargão: é proteção contra captura. Conselhos, comitês de auditoria, canal de denúncias e controles internos precisam funcionar antes do escândalo, não depois, para evitar que o dano vire irreparável na vida pública também.
Quando recursos de saneamento são desviados, o efeito aparece em silêncio: rede que não expande, estação que atrasa, manutenção que falha, e bairros que seguem sem coleta adequada. Isso aumenta risco de doenças, piora a dignidade e pressiona o SUS. Por isso, investigar não é “briga política”; é higiene institucional. A apuração precisa olhar não apenas para suposta campanha, mas para contratos, nomeações e decisões que podem ter criado ambiente permissivo ao desvio ou à coerção interna em escala estadual.
Também é preciso cautela: áudio pode ser recortado, editado ou descontextualizado, e o devido processo existe para proteger inocentes e punir culpados com prova. O antídoto contra a polarização é método: perícia, contraditório, rastreio bancário e documentação. Se o caso for arquivado, que seja com fundamentação pública. Se houver denúncia, que venha com lastro técnico, cadeia de custódia e descrição do dano ao erário e ao processo eleitoral, sem retórica porque Paraná precisa de verdade, não de torcida, tema.
Em 2026, a condução desses casos vai pesar no debate público: não por partido, mas por confiança. Se o Estado quer credibilidade, precisa mostrar que estatais não são caixa de campanha nem balcão de nomeações. A resposta não é só investigar; é reformar: compliance independente, auditoria contínua, critérios técnicos para cargos e proteção real a denunciantes. Sem isso, o escândalo vira ciclo: explode, some, e volta maior. Democracia saudável não funciona no modo “tapar buraco” quando assunto é dinheiro público.
Por Pr. Rilson Mota
Amor Real Notícias: Informando com responsabilidade e compromisso com a verdade.
Ao apoiar o jornalismo local, você fortalece a informação de qualidade.
Assine agora e tenha acesso aos conteúdos exclusivos, com credibilidade e compromisso com a informação.
Acompanhe nossas atualizações nas redes sociais e fique bem informado:
WhatsApp | Instagram | Telegram | Facebook
Entre em contato conosco:
Email: redacao@amorrealnoticias.com.br






