Guarapuava, 08 de janeiro de 2026
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seil), informou que a obra de duplicação e restauração em concreto da PRC-466 entre Turvo e Palmeirinha alcançou 13,14% de execução. O investimento é de R$ 293,7 milhões, com previsão de entrega para junho do próximo ano. O trecho tem 27,02 km, do acesso ao parque industrial de Turvo ao fim do perímetro urbano de Palmeirinha.
Segundo o órgão, os trabalhos estão concentrados na terraplenagem da nova pista, prevista para ficar paralela à existente, com pavimento rígido de concreto e vida útil estimada de 30 anos. Em paralelo, são implantados sistemas de drenagem, com bueiros de concreto e drenos profundos, além da ampliação de uma galeria celular já presente sob a pista atual. O objetivo é controlar água subterrânea e superficial, reduzindo patologias do pavimento.
Na pista existente, estão em andamento serviços de conservação e manutenção para adequar o asfalto como base de uma nova camada de concreto, método conhecido como whitetopping. A técnica consiste em aplicar placas de concreto sobre revestimento asfáltico previamente preparado, buscando desempenho similar ao de uma pista integralmente em concreto. O DER/PR indica que a solução eleva qualidade e vida útil, desde que a base esteja estável, com correções de irregularidades e reforço de subleito quando necessário.
A obra inclui uma segunda ponte sobre o Rio Turvo, atualmente na fase de infraestrutura, com execução de bases em concreto e previsão de iniciar a mesoestrutura, etapa em que pilares são montados. Também estão previstos dois viadutos, com produção de vigas em pátio de pré-moldados. Um ficará no entroncamento com a Avenida XV de Novembro, em Turvo, e outro no entroncamento com a Rua Manoel Moreira de Campos, em Palmeirinha.
Os viadutos serão do tipo Diamante, com acessos pela faixa da direita em ambos os sentidos, conectados a duas rotatórias na parte superior, substituindo interseções em nível. Estão previstos retornos, abrigos de ônibus, passeios, iluminação rodoviária, sinalização horizontal e vertical e dispositivos de segurança. O DER/PR também citou obras correlatas na região: o trecho Pitanga–Turvo com 11,84%, e Guarapuava–Palmeirinha em reta final, acima de 87%.
Comentário técnico e exclusivo
O dado de 13,14% é relevante, mas tecnicamente ele precisa ser lido como “progresso ponderado” do cronograma físico-financeiro, e não como quilometragem pronta. Em pavimentação rígida, os percentuais iniciais costumam avançar mais lentamente porque dependem de terraplenagem, estabilização de subleito e drenagem profunda, etapas que não “aparecem” para o usuário, mas determinam desempenho. Sem controle de compactação (densidade) e CBR/EV2 do subleito, o concreto só transfere fissuras para o futuro.
A escolha por concreto com vida útil de 30 anos depende de projeto de placas: espessura, juntas serradas, espaçamento, transferência de carga com barras (dowels) e amarração longitudinal (tie bars). O desempenho também exige cura adequada e controle de retração térmica, sob risco de fissuras por contração plástica. Em rodovias, a drenagem é tão determinante quanto o concreto: drenos profundos e bueiros reduzem bombeamento de finos e perda de suporte, que são causas clássicas de escalonamento e falhas em juntas.
O whitetopping citado é uma solução tecnicamente eficiente quando o asfalto remanescente pode atuar como camada de suporte e amortecimento, mas isso exige preparação rígida: correção de trincas refletidas, nivelamento (fresagem/reciclagem), tratamento de bordas e avaliação de aderência. Em whitetopping ultrafino, o desempenho depende de aderência entre concreto e asfalto; já em whitetopping convencional, a placa pode trabalhar mais independente. A afirmação de “mesma qualidade” só se sustenta com controle de interface e base estável.
Pontes e viadutos são o “risco crítico” do cronograma, porque concentram incerteza: fundações, sondagens, interferências hidráulicas e logística de lançamento de vigas. A transição da infraestrutura para mesoestrutura sinaliza avanço, mas o gargalo normalmente vem na superestrutura (lajes, aparelhos de apoio, juntas de dilatação e barreiras). No caso de pré-moldados, a qualidade depende de cura, controle de resistência característica do concreto, transporte e içamento com plano de rigging, além de tolerâncias geométricas.
O desenho de viaduto tipo Diamante melhora segurança ao eliminar conflitos diretos em nível, mas seu desempenho operacional depende de geometria das alças: raio, superelevação, distância de visibilidade e comprimento de aceleração/desaceleração. Se esses parâmetros forem subdimensionados, o viaduto “resolve” o cruzamento e cria gargalo em fila. A sinalização vertical e horizontal precisa ser projetada com base em velocidade diretriz e em análise de tráfego pesado, pois caminhões têm dinâmica diferente em rampas e curvas.
Por fim, a promessa de “vida útil longa” é, na prática, promessa de gestão de manutenção. Concreto dura mais quando recebe selagem de juntas, reparo de bordas, limpeza de dispositivos de drenagem e monitoramento de fissuras. Sem plano de manutenção preventiva, até pavimento rígido degrada. O ganho real para a região (Turvo–Palmeirinha–Guarapuava) virá quando a obra entregar regularidade de rolamento, drenagem eficiente e interseções seguras, reduzindo custo logístico e sinistros ao longo de anos, não só no dia da inauguração.
Por Pr. Rilson Mota
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