Guarapuava, 27 de janeiro de 2026
Uma equipe policial foi acionada na manhã desta segunda-feira (26) para atender uma denúncia de suposto descumprimento de medida protetiva no bairro Morro Alto, em Guarapuava. O solicitante, filho da idosa, informou que sua mãe, de 83 anos, estaria sendo coagida pela neta para entregar quantias em dinheiro. Ao chegar ao local, os agentes estabeleceram contato direto com a suposta vítima para verificar a veracidade das alegações.
A idosa, em plena posse de suas faculdades mentais, relatou aos policiais que não estava sofrendo ameaças, agressões ou qualquer tipo de coação no momento da abordagem. No entanto, confirmou que houve um episódio conflituoso dias antes, quando sua neta de 32 anos a visitou e se alterou emocionalmente ao descobrir que os tios (filhos da idosa) estariam cobrando dinheiro dela regularmente, configurando possível exploração financeira.
A neta, presente durante a abordagem, apresentou sua versão dos fatos de forma articulada. Ela alegou que a responsável legal pela idosa reside em Santa Catarina, o que criaria uma situação de negligência familiar que permitiria aos filhos da senhora se aproveitarem financeiramente da vulnerabilidade materna. A jovem defendeu que sua intervenção visava proteger os interesses patrimoniais e o bem-estar da avó, não intimidá-la.
A equipe policial constatou que a idosa não apresentava lesões físicas aparentes e parecia emocionalmente estável. Após receber orientações detalhadas sobre os trâmites legais, incluindo a possibilidade de solicitar medida protetiva preventiva, a senhora manifestou interesse em formalizar a solicitação junto à Delegacia de Polícia Judiciária em data oportuna. O caso foi registrado como constrangimento ilegal para investigação posterior.
Comentário exclusivo
Neste caso de Guarapuava a face oculta da violência contra idosos: a exploração financeira intra-familiar. A neta acusa os tios de “tirar proveito financeiro” da avó de 83 anos — uma alegação grave que revela disputas patrimoniais mascaradas como preocupação legítima. Quando o cuidador legal reside em outro estado (Santa Catarina), cria-se um vácuo de supervisão que facilita abusos econômicos, uma forma de violência tão danosa quanto a física.
A negação imediata da idosa (“não estou sofrendo ameaças agora”) é um padrão clássico em casos de coação familiar. Vítimas idosas frequentemente minimizam ou negam abusos por medo de represálias, dependência emocional dos agressores, ou vergonha de expor conflitos familiares. A polícia fez bem em ouvir todas as partes, mas a ausência de lesões visíveis não descarta violência psicológica ou financeira, que deixam marcas invisíveis mas igualmente destrutivas.
A geografia da negligência é um fator crítico: com a responsável legal em Santa Catarina, a idosa fica isolada e vulnerável a pressões locais. Esse distanciamento físico cria condições ideais para exploração sistêmica, onde familiares próximos podem manipular recursos financeiros sem supervisão. O Estado falha ao não oferecer visitas regulares de assistentes sociais para idosos com familiares distantes, permitindo que abusos prosperem na invisibilidade doméstica.
A intenção declarada da idosa de solicitar medida protetiva “em data oportuna” é, na prática, uma promessa vaga que raramente se concretiza. Idosos dependentes temem retaliações e costumam protelar ações legais. O sistema deveria ser proativo: ao identificar risco, a polícia poderia acionar o Ministério Público para investigação patrimonial imediata, congelar transações suspeitas e designar um curador temporário. Enquanto esperamos a “data oportuna” da vítima, os abusadores continuam agindo.
Por Pr. Rilson Mota
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