Guarapuava, 07 de janeiro de 2026
O Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), formalizou nesta quarta-feira (7) um novo contrato de gestão para o Hospital Regional do Centro-Oeste Deputado Bernardo Ribas Carli, em Guarapuava. A medida sinaliza ampliação da capacidade assistencial da unidade, que atende 20 municípios da 5ª Regional de Saúde. O objetivo declarado é aumentar a produção cirúrgica e reforçar o acesso a procedimentos eletivos e de média complexidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
A unidade manteve, nos últimos dois anos, média de 600 cirurgias mensais. A partir de segunda-feira (5), a gestão passou ao Centro Integrado de Saúde (CIS), com projeção de alcançar 1.000 procedimentos por mês. A mudança ocorre dentro do modelo de contrato de gestão, que define metas, indicadores e mecanismos de acompanhamento. A expectativa do governo é que a reorganização operacional se traduza em maior oferta, com impacto direto na fila de espera regional.
Sob a administração anterior, do Instituto Santa Clara, o hospital acumulou cerca de 13 mil cirurgias, incluindo aproximadamente 3 mil próteses de joelho e quadril. A informação foi apresentada como evidência de capacidade instalada e histórico de produção. O novo contrato é descrito como etapa de expansão, mantendo o hospital como ponto estratégico para cirurgias ortopédicas. O foco segue alinhado à política estadual de ampliação de acesso e produtividade hospitalar.
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, afirmou que o contrato representa avanço dentro da estratégia de redução de filas. Segundo ele, a ampliação da produção cirúrgica deve garantir mais agilidade para a população, especialmente no contexto do programa Opera Paraná. Ele também destacou que o hospital já possui estrutura e resultados anteriores, o que facilitaria a transição. As declarações foram associadas à expectativa de melhoria no tempo de resposta para cirurgias eletivas.
A Secretaria da Saúde informou que dará suporte para qualificação das filas de espera em Guarapuava e região, com mutirões e estratégias de organização. A proposta envolve revisão de cadastros, priorização por critérios clínicos e ajustes de fluxo entre atenção básica, especialidades e hospital. O secretário citou que o Opera Paraná realiza cerca de 2,2 mil cirurgias por dia no estado, apresentando o programa como referência em escala per capita de procedimentos eletivos.
Ainda segundo Beto Preto, a nova fase prevê oferta de novos serviços e ampliação de especialidades, com menção à otorrinolaringologia. O planejamento inclui acolhimento de casos de trauma “relativo”, dentro da capacidade e do perfil assistencial da unidade. A gestão estadual também citou parceria com a Funeas, como parte da estratégia de fortalecimento da rede hospitalar. Os detalhes de implantação dependem do cronograma assistencial e da regulação de acesso.
O Hospital Regional do Centro-Oeste integra o Opera Paraná e é referência estadual em cirurgias ortopédicas de alta complexidade, especialmente próteses de quadril e joelho. Em 2024, foram registradas 647 cirurgias de prótese de joelho e 403 de quadril, números apresentados como indicativos de volume e especialização. A manutenção dessa vocação, com aumento de capacidade, é vista como elemento central do contrato de gestão, com foco em eficiência e ampliação de oferta.
Com o novo contrato, a unidade passa a operar sob metas de produtividade e acompanhamento por indicadores assistenciais, com impacto esperado em filas e tempo de espera. A ampliação para 1.000 cirurgias mensais dependerá de organização de equipes, salas, materiais, agenda cirúrgica e regulação regional. O governo afirma que a estratégia é ampliar acesso com qualidade e reduzir represamento de procedimentos. A execução será observada pelo cumprimento de metas e pelos resultados percebidos pelos usuários do SUS.
Comentário exclusivo
A promessa de chegar a 1.000 cirurgias por mês é mais que um número: é uma mudança de vida para quem está esperando com dor, limitação de mobilidade e perda de autonomia. Em ortopedia, fila longa não é “incômodo”; é incapacidade real que afeta trabalho, família e saúde mental. Quando um hospital regional acelera produção, ele reduz afastamentos, diminui complicações e devolve funcionalidade. O ganho social aparece na rua: gente voltando a caminhar e a viver.
Por trás de metas, existe um ponto técnico decisivo: gestão de fila. Qualificar lista de espera não é “cortar nomes”; é organizar prioridade por critérios clínicos, risco e tempo, evitando injustiças e desperdício de vaga. Mutirão sem triagem gera efeito curto; fila bem estruturada gera efeito duradouro. Se a Sesa entregar essa governança com transparência, Guarapuava pode virar exemplo de como reduzir represamento sem abrir mão de segurança e qualidade assistencial.
Outra chave é sustentabilidade: elevar volume cirúrgico exige cadeia completa funcionando — exames, anestesia, instrumentais, próteses, leitos e reabilitação no pós-operatório. Se uma dessas pontas falhar, a meta vira gargalo e o paciente sente na pele. O mérito do modelo será manter regularidade, não só picos de produção. A cidade precisa acompanhar indicadores simples: tempo de espera, taxa de cancelamento, reinternações e satisfação do usuário, sempre com foco em resultado clínico.
Por fim, hospitais regionais bem estruturados diminuem a dependência de deslocamento para capitais e reduzem o custo humano do “tratamento longe de casa”. Para 20 municípios, isso é logística, economia e dignidade. A expansão de especialidades, como otorrinolaringologia, também reforça o princípio de rede: atendimento mais perto, no tempo certo, com regulação eficiente. Se essa engrenagem girar, o SUS mostra sua melhor face: acesso, escala e cuidado com quem mais precisa.
Por Pr. Rilson Mota
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