Guarapuava, 27 de janeiro de 2026
Uma equipe policial foi acionada na manhã desta segunda-feira (26) para atender uma ocorrência de violência doméstica no bairro Boqueirão, em Guarapuava. No local, uma mulher de 50 anos relatou ter sido vítima de agressões verbais e ameaças por parte do próprio filho, de 24 anos. Segundo o depoimento, o jovem utilizou xingamentos de cunho degradante e proferiu frases com conteúdo claramente ameaçador, configurando violência psicológica.
A situação escalou quando o autor, além das ameaças, subtraiu o aparelho celular da vítima, caracterizando o crime de furto simples. O objeto, utilizado pela mãe para comunicação e trabalho, foi tomado à força durante a discussão doméstica. Ao perceber a chegada da viatura policial ao endereço, o suspeito empreendeu fuga imediata, escalando os muros da residência e desaparecendo pelas ruas laterais do bairro, demonstrando conhecimento prévio da área.
Os agentes realizaram buscas imediatas na região e efetuaram patrulhamento preventivo nas adjacências, mas não conseguiram localizar o autor. A fuga ágil e a topografia do bairro, com múltiplas vias de escape, dificultaram a captura em flagrante. A vítima recebeu orientações completas sobre os procedimentos legais cabíveis, incluindo a possibilidade de registrar um Boletim de Ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência junto à Delegacia da Mulher.
O caso foi registrado como ameaça contra mulher, violência doméstica e familiar, e furto simples. As autoridades policiais continuam com as diligências para localizar e apresentar o suspeito à Justiça. A vítima foi encaminhada para atendimento psicossocial, visando ampará-la não apenas juridicamente, mas também emocionalmente, diante da violência perpetrada por um familiar direto.
Comentário exclusivo
O caso de Guarapuava a cristalização de um padrão perigoso: a violência doméstica que evolui do verbal para o patrimonial. O filho não apenas ameaçou a mãe, mas subtraiu seu celular — instrumento vital de comunicação e, em muitos casos, de trabalho. Isso não é um furto comum; é uma tática de controle e isolamento, privando a vítima de seu elo com o mundo exterior e com possíveis redes de apoio.
A fuga pulando muros demonstra que o autor conhece bem o território e tem agilidade física, mas também revela um cálculo de risco. Ele sabia que a chegada da polícia significava consequências reais, então optou pela evasão. Isso sugere um comportamento não impulsivo, mas estratégico, de quem avalia custos e benefícios mesmo em situação de crise. A polícia chegou a tempo de impedir agressão física, mas não de evitar a fuga — um limite operacional comum em bairros com geografia complexa.
O furto do celular em um contexto de violência doméstica é particularmente perverso. Além do valor material, o aparelho contém contatos, mensagens e, muitas vezes, provas de agressões anteriores. Sua subtração pode ser uma tentativa de apagar evidências ou impedir que a vítima busque ajuda. A polícia deve tratar esse furto não como um crime comum, mas como um agravante da violência doméstica, com potencial de aumentar a pena em caso de condenação.
A orientação dada à vítima é crucial, mas insuficiente se não for acompanhada de proteção real. Medidas protetivas de papel não impedem um agressor determinado. O Estado precisa oferecer abrigo temporário e monitoramento eletrônico do agressor quando há risco iminente. Enquanto isso não acontecer, casos como este se repetirão, com vítimas idosas sendo duplamente violentadas: pela agressão do filho e pela incapacidade do sistema em oferecer segurança concreta após a denúncia.
Por Pr. Rilson Mota
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