Guarapuava, 09 de janeiro de 2026
O dólar encerrou esta quinta-feira (8) praticamente estável no mercado à vista, com alta de 0,04%, cotado a R$ 5,3892. A sessão foi marcada por baixa volatilidade e por postura defensiva de investidores, que evitaram montar posições relevantes antes de indicadores econômicos considerados determinantes. No intradiário, a moeda oscilou entre R$ 5,3753 e R$ 5,3974, refletindo equilíbrio temporário entre oferta e demanda em um mercado ainda sensível a notícias externas.
A cautela foi atribuída ao calendário de sexta-feira (9), quando serão divulgados a folha de pagamento dos Estados Unidos e o IPCA de dezembro e do acumulado de 2025 no Brasil. Esses dados tendem a recalibrar expectativas para juros e, por consequência, para fluxos de capital. Em cenários de incerteza, o câmbio reage menos ao noticiário corrente e mais a surpresas estatísticas que alteram projeções de inflação, crescimento e juros.
Os indicadores divulgados nesta quinta não foram suficientes para deslocar preços. Nos EUA, os pedidos iniciais de seguro-desemprego vieram abaixo do esperado, sugerindo mercado de trabalho ainda resiliente. No Brasil, a produção industrial ficou estável em novembro na comparação mensal e recuou 1,2% ante novembro de 2024. Como os números não alteraram o cenário-base, a taxa de câmbio permaneceu próxima da abertura e com liquidez reduzida em parte do pregão.
Na véspera, quarta-feira (7), o dólar terminou com alta de 0,09%, a R$ 5,3869. Na terça (6), fechou em R$ 5,3819, queda de 0,43%, acumulando desvalorização de 3,50% em quatro sessões. Na segunda (5), recuou 0,35% e encerrou a R$ 5,4051. No primeiro pregão do ano, sexta (2), caiu 1,19%, para R$ 5,4238. Em 29 de dezembro, fechou em R$ 5,57 (+0,58%), sinalizando nível ainda elevado antes da virada anual.
No acumulado de 52 semanas, a moeda americana registra variação de -11,73%, com intervalo entre mínima de R$ 5,2695 e máxima de R$ 6,3144. No primeiro pregão de 2025, em 2 de janeiro, a cotação chegou a R$ 6,1798, patamar que passou a servir de referência psicológica para operadores. Desde então, o movimento predominante foi de apreciação do real, com episódios pontuais de estresse ligados a política, fiscal e externo.
Em dezembro, o câmbio voltou a oscilar com força em alguns dias, em meio a ruídos políticos domésticos e ajustes de posições. Houve sessões de alta e queda alternadas, com o dólar superando R$ 5,50 em determinados momentos e depois recuando. Analistas costumam associar esses movimentos a mudanças rápidas de percepção de risco, liquidez reduzida e estratégias de proteção. A dinâmica reforçou a sensibilidade do real a choques de narrativa.
Em 2025, o dólar acumulou queda de 11,17% frente ao real, no maior recuo anual desde 2016, após iniciar o ano acima de R$ 6,00 e terminar próximo de R$ 5,49, em ambiente de volatilidade. A desvalorização foi atribuída ao enfraquecimento global da moeda americana, a cortes de juros pelo Fed e ao diferencial elevado de juros no Brasil, que favoreceu entrada de capital estrangeiro, especialmente em operações de carry.
Para 2026, operadores projetam câmbio ainda volátil, com maior sensibilidade ao cenário externo e à política monetária americana. No Brasil, o mercado tende a acompanhar o calendário eleitoral, o início esperado de cortes da Selic e sinais de compromisso fiscal, variáveis que afetam prêmio de risco. No curtíssimo prazo, a atenção permanece voltada ao payroll dos EUA e ao IPCA, que podem redefinir apostas sobre juros e direcionar o dólar.
Comentário
Um fechamento praticamente estável em R$ 5,3892 com range estreito indica mercado em modo de espera, típico de véspera de dados com potencial de “reprecificação” do diferencial de juros. O câmbio à vista responde não só a fluxo comercial, mas a hedge e rolagem de posições em derivativos, especialmente quando a liquidez intradiária diminui. A baixa volatilidade sugere que a curva de opções não precificou choques grandes no dia, preservando gamma para sexta-feira e reduzindo a probabilidade de stops técnicos.
A combinação de payroll americano e IPCA brasileiro tem efeito direto na estrutura a termo de juros, que é o principal motor do câmbio via carry trade. Surpresa de emprego forte tende a elevar Treasuries e sustentar o dólar global, pressionando moedas emergentes. Já um IPCA acima do esperado dificulta cortes de Selic, aumenta o prêmio de risco local e pode atrair fluxo de curto prazo, mas também eleva percepção de dominância fiscal. O saldo depende do mix entre forças.
Os dados secundários do dia, como pedidos de seguro-desemprego e produção industrial, atuaram apenas como ruído porque não alteraram o cenário de política monetária. Quando a narrativa dominante é “evento amanhã”, o mercado tende a reduzir risk limits e operar em microfaixas, com maior participação de algoritmos de execução. Nesse regime, a variação é guiada por book imbalance e ajuste de spreads, não por tomada direcional. A leitura correta é de compressão de volatilidade, e não de convicção duradoura hoje.
A sequência recente de quedas e altas curtas mostra um real sustentado pelo diferencial de juros, mas vulnerável a reprecificações de risco. Em 52 semanas, a variação negativa do dólar sugere que o carry predominou, porém esse suporte não é incondicional: depende de inflação convergente e de arcabouço fiscal crível. Qualquer sinal de gasto permanente sem fonte estável amplia o CDS e empurra o câmbio pela via financeira. Por isso, estabilidade no curto prazo não garante tendência de longo prazo.
Episódios de volatilidade em dezembro ilustram como o câmbio doméstico amplifica ruídos políticos quando a liquidez é menor e o mercado está mais “comprado” em real via derivativos. Nesses momentos, a moeda vira termômetro de risco institucional: qualquer aumento de incerteza eleva demanda por hedge, desloca a curva de cupom cambial e encarece proteção. Importa menos o fato isolado e mais a persistência da narrativa, porque ela define prêmios na precificação de ativos e no custo de financiamento do país.
Para 2026, o cenário-base de volatilidade elevada deriva do encontro entre três vetores: ciclo do Fed, cortes da Selic e risco eleitoral. Tecnicamente, isso aumenta o valor do hedge em opções, porque a distribuição de retornos fica mais “gorda” nas caudas. Empresas expostas a importação ou dívida em dólar tendem a alongar proteção e diversificar instrumentos, combinando NDF, swaps e collars. Investidores de portfólio olharão fluxo financeiro e sinais de disciplina fiscal como âncora para precificar risco e alocar capital.
Por Pr. Rilson Mota
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