Guarapuava, 07 de janeiro de 2026
Na Vila Carli, um atendimento por ameaça e agressão doméstica, no que muitos chamam de “chover no molhado”. A solicitante estava em frente à residência com os filhos e relatou conviver com o companheiro há quatro anos. Segundo ela, após discussão por uso de celular e consumo de álcool, ele passou a agir de modo exaltado e a dizer frases que lhe causaram temor.
A mulher afirmou que, após acionar o serviço, foi puxada pelo braço, sofrendo hematoma, e que o homem voltou a tentar agressão, sendo impedido pelo enteado. Com apoio de outra equipe, houve entrada no imóvel para localizar o homem, que apresentou resistência e sinais de embriaguez, exigindo técnicas de contenção para transporte. Na delegacia, a vítima disse que queria desistir e foi orientada sobre o trâmite legal aplicável posterior formal.
Comentário crítico e exclusivo
Escolhas moldam trajetórias: com quem se relacionar, onde morar, como lidar com ciúme, e até o que colocar no copo. O problema é quando alguém usa a própria escolha — beber, perder limites, voltar à casa da ex — como álibi para intimidar. Álcool não decide por ninguém; apenas reduz freios. E, numa cidade que registra episódios sucessivos, a repetição vira cansaço coletivo. Não é “normal”: é risco concreto que precisa ser interrompido com proteção, apoio e resposta institucional rápida.
Hoje, falar de violência doméstica em Guarapuava parece chover no molhado, e isso é exatamente o alarmante: o assunto se repete porque o fato se repete. As equipes de atendimento acabam “enxugando gelo”, retornando às mesmas ruas, às mesmas casas, aos mesmos padrões. Não é falha individual; é um problema estrutural de prevenção, acompanhamento e responsabilização. Quando a vítima recua por medo ou exaustão, o ciclo ganha fôlego. A cidade precisa de portas abertas: acolhimento, abrigo, renda e medida protetiva.
Existe um personagem recorrente nesses registros: o “machão de cozinha” que, após beber, acredita virar “super-homem” para exigir obediência. Na prática, vira só alguém perigoso, incapaz de aceitar limites. O álcool entra como catalisador, não como desculpa. Quem escolhe beber e depois ameaçar escolhe duas vezes: primeiro a bebida, depois a violência. O preço recai sobre mulheres e crianças, que pagam com medo, rotina quebrada e trauma. E há feridos indiretos: parentes que intervêm, vizinhos que escutam, profissionais que socorrem.
Antes do casamento, antes de juntar as contas, antes de aceitar um emprego novo, todos nós avaliamos riscos — ou deveríamos. Só que, em relacionamentos, a decisão muitas vezes vem carregada de esperança: “vai mudar”, “vai parar de beber”. Quando não muda, a vítima não tem culpa por ter tentado; culpa é de quem agride. A responsabilidade moral e legal é do agressor. O papel da comunidade é apoiar a saída segura, sem julgamento e sem pressão para “voltar” nunca.
Quando a violência ocorre na presença dos filhos, o dano se multiplica. A criança aprende que grito e ameaça são ferramentas de poder, e isso contamina gerações. Por isso, é importante que o sistema registre, oriente e encaminhe, mesmo quando a vítima hesita ou muda de ideia no atendimento. Medo e dependência não são “contradição”; são parte do contexto. A lei prevê proteção porque denunciar pode ser difícil. O Estado precisa sustentar essa proteção com abrigo, suporte e segurança contínua.
Para reduzir essa epidemia, a cidade precisa tratar cada ameaça como sinal, não como “drama”. Escolher pedir ajuda cedo é escolha de sobrevivência, e a rede deve facilitar essa decisão: atendimento humanizado, informação clara e encaminhamento rápido. Também é escolha coletiva não rir do agressor bêbado nem relativizar o “foi só cachaça”. Cachaça não segura lâmina, mão segura. O agressor deve responder; a vítima deve ser protegida; e a comunidade deve parar de assistir calada para que não se repita.
Por Pr. Rilson Mota
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