Guarapuava, 14 de dezembro de 2025
O Ministério Público do Paraná (MPPR), via 10ª Promotoria de Justiça de Guarapuava, no Centro-Sul do estado, ofereceu denúncia contra um casal por 25 crimes de estelionato qualificado mediante fraude eletrônica. Os fatos ocorreram entre janeiro de 2024 e maio de 2025, gerando prejuízo estimado em R$ 646.659,00 a vítimas. As investigações apontam esquema organizado de vendas irregulares de imóveis urbanos, envolvendo empresas de propriedade dos denunciados: uma imobiliária e uma construtora.
O casal atraía vítimas por anúncios em redes sociais ou indicações de supostos clientes, que na época desconheciam as irregularidades. Ao contatar a imobiliária dos acusados, as pessoas eram direcionadas a vendedores e corretores, sob orientação direta do casal. Esses profissionais apresentavam terrenos de interesse, mesmo sem que as propriedades pertencessem à empresa, com o foco em fechar negócios e captar valores iniciais das entradas, explorando a confiança inicial dos interessados.
Para facilitar as transações, o esquema incluía simulações de financiamentos junto à Caixa Econômica Federal, além de promessas de entradas acessíveis. Isso atraía clientes sem recursos iniciais adequados, criando ilusão de viabilidade. Os denunciados exploravam essa vulnerabilidade financeira, apresentando opções que pareciam ideais para aquisição de imóveis, mas que na realidade mascaravam a ausência de direitos sobre os bens ofertados, induzindo erros de julgamento nas decisões das vítimas.
Na etapa contratual, o casal celebrava acordos diretamente com os clientes, garantindo prazos curtos para entregas e serviços. Essas promessas criavam expectativa de realização da casa própria, permitindo a obtenção indevida de vantagens patrimoniais por meio de pagamentos adiantados. A estrutura fraudulenta era reiterada, com documentação aparentando legalidade, o que consumava os delitos ao transferir recursos das vítimas para os acusados sem contrapartida real nos imóveis prometidos.
Após o vencimento dos prazos estipulados, as vítimas descobriam a não construção dos imóveis ou irregularidades nos lotes, como falta de documentação válida. Ao questionar os proprietários, recebiam respostas evasivas e infundadas, o que as levava a reconhecer a fraude. Esse padrão de descumprimento expunha a natureza dolosa do esquema, com os denunciados evitando responsabilidades e perpetuando o ciclo de prejuízos financeiros para dezenas de famílias afetadas em Guarapuava.
Em resposta às investigações, o Procon de Guarapuava interditou as duas empresas envolvidas, suspendendo suas operações para proteger consumidores. O homem do casal está em prisão preventiva, enquanto a mulher cumpre prisão domiciliar. O processo tramita sob o número 09421-26.2025.8.16.0031, com o MPPR buscando ressarcimento às vítimas e condenações proporcionais aos danos causados, reforçando o combate a fraudes imobiliárias na região.
Por Pr. Rilson Mota
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