Guarapuava, 26 de janeiro de 2026
Uma equipe policial foi acionada pelo COPOM na manhã deste domingo (25) para atender uma ocorrência de violência doméstica no bairro Bonsucesso, em Guarapuava. No local, os agentes encontraram uma mulher de 40 anos que relatou ter sido vítima de ameaças e injúrias por parte do marido, de 47 anos. O autor teria chegado embriagado à residência e iniciado uma série de ofensas verbais contra a companheira, culminando em tentativa de agressão física.
De acordo com o relato da vítima, durante a discussão, o autor tentou agarrar seu braço de forma violenta. Foi nesse momento que o filho do casal, de 22 anos, interveio para proteger a mãe, desferindo um soco no rosto do agressor. A intervenção do jovem impediu que a agressão se concretizasse, mas gerou uma situação de confronto físico dentro do ambiente doméstico, exigindo a presença das autoridades para restabelecer a ordem.
Os policiais realizaram a abordagem no autor, que apresentava claros sinais de embriaguez. Após verificação, não foram localizados objetos ilícitos em sua posse. O homem foi então informado sobre seus direitos constitucionais, recebeu voz de prisão em flagrante pelos crimes de ameaça e violência doméstica, e foi encaminhado à Delegacia de Polícia Judiciária para os procedimentos cabíveis, incluindo a lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
A vítima foi orientada sobre as medidas protetivas disponíveis pela Lei Maria da Penha e encaminhada para atendimento psicossocial. O filho, que agiu em legítima defesa de terceiro, não foi autuado, uma vez que sua intervenção visou exclusivamente impedir a agressão iminente contra a mãe. O caso segue sob investigação para apuração completa dos fatos e possível decretação de medidas cautelares pelo Poder Judiciário.
Comentário exclusivo
Guarapuava um retrato triste da banalização da violência doméstica alimentada pelo álcool. O autor, embriagado, transforma o lar — que deveria ser um santuário — em um campo de batalha. A intervenção do filho, embora compreensível do ponto de vista emocional, revela a falha do Estado em prevenir essas situações. A polícia chega após o conflito, quando a violência já eclodiu. Onde estavam os mecanismos de prevenção?
A legítima defesa de terceiro aplicada ao filho é tecnicamente correta, mas esconde um problema maior: a naturalização da violência como solução. O jovem aprende que, para proteger sua mãe, precisa usar força física. Isso perpetua um ciclo onde a agressão gera mais agressão. O Estado deveria estar presente antes, com políticas públicas que identifiquem famílias em risco e ofereçam suporte psicológico e jurídico proativo, não apenas reativo.
O álcool aparece, mais uma vez, como o combustível preferencial da violência doméstica. O autor chega embriagado e desencadeia o caos. No entanto, a abordagem policial “não localizou nada de ilícito”. O ilícito era o próprio comportamento, a embriaguez agressiva. A lei precisa evoluir para tratar a embriaguez recorrente associada à violência como um agravante autônomo, não apenas como um mero detalhe do contexto. Prevenir o acesso ao álcool para agressores reincidentes deveria ser uma medida protetiva padrão.
Por fim, o encaminhamento da vítima para atendimento psicossocial é positivo, mas tardio e insuficiente. Ela sofreu a agressão, o trauma, e só depois recebe ajuda. O sistema deveria funcionar ao contrário: identificar riscos, oferecer apoio contínuo e só então, se necessário, acionar a polícia. Enquanto reagirmos apenas às crises, estaremos sempre um passo atrás da violência. A segurança pública eficaz começa na prevenção, não na prisão do agressor após o fato consumado.
Por Pr. Rilson Mota
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