São Paulo, 16 de janeiro de 2026
O Corinthians sofreu uma derrota por 3 a 0 para o Red Bull Bragantino na noite desta quinta-feira, em Bragança Paulista, pela segunda rodada do Campeonato Paulista. O resultado contrasta com a estreia, quando o Timão venceu a Ponte Preta por 3 a 0, e expõe a oscilação típica de início de temporada, mas agravada por erros defensivos e por um contexto de preparação curta. Com três pontos, o clube aparece no meio da tabela.
Após a partida, Dorival Júnior enfatizou a necessidade de reforçar o elenco ainda durante o Paulistão. O treinador explicou que o clube encerrou a temporada anterior em 21 de dezembro e retomou atividades em 3 de janeiro com baixas importantes no departamento médico. Ele também mencionou dificuldades para manter alguns jogadores na renovação e a expectativa de chegada de novos nomes para compor o grupo, indicando um elenco ainda em formação para a maratona inicial.
Dorival apontou limitações financeiras e disse que o clube busca peças que “caibam” no Corinthians, priorizando qualidade dentro do possível. Até agora, o único reforço anunciado em 2026 foi o zagueiro Gabriel Paulista, que já iniciou como titular contra o Bragantino. O lateral-direito Pedro Milans e o meio-campista Matheus Pereira são nomes que podem ser oficializados nos próximos dias, aumentando alternativas num calendário que exige rotação e estabilidade.
O técnico também justificou a escalação alternativa em Bragança Paulista com base na sequência pesada que o time enfrentará. O Corinthians tem pela frente confrontos contra São Paulo e Santos, e Dorival alertou que o torcedor deve se preparar para dificuldades, dado o tempo mínimo de recuperação e preparação. A fala sugere que a comissão técnica prioriza gerenciamento de carga e risco de lesão, mesmo que isso custe desempenho pontual em jogos fora.
Do ponto de vista técnico, um 3 a 0 costuma indicar problemas de execução em cadeia: falhas de cobertura, timing de pressão e proteção do espaço entrelinhas. Quando isso acontece, o rival ganha cenário para acelerar e atacar com superioridade numérica em transições. O Bragantino, por perfil, costuma explorar exatamente esse tipo de fragilidade com agressividade, e o Corinthians pagou caro. A resposta, agora, depende de ajustes rápidos e de encaixes mais claros.
A oscilação corintiana também reabre um debate maior no futebol paulista: os clubes do interior, como Bragantino e Mirassol, vêm elevando padrão de organização, recrutamento e eficiência, competindo com menos recursos, mas com processos mais consistentes. Isso pressiona os grandes a entregarem mais do que história e camisa. Em estadual curto, “passado” não sustenta pontuação, e a margem de erro é menor do que a narrativa tradicional permite admitir.
Com o calendário apertado, Dorival afirmou que não faria avaliação definitiva por uma partida e assumiu responsabilidade pelo resultado. O treinador tentou equilibrar cobrança e realidade, destacando que decisões foram tomadas dentro das opções disponíveis. Esse discurso é comum quando o clube está em transição de elenco e ainda calibrando ritmo, mas ele precisa ser acompanhado por melhora objetiva: compactação defensiva, redução de erros individuais e um modelo de ataque que não dependa apenas de lampejos.
O Corinthians volta a campo no domingo, às 16h, na Neo Química Arena, contra o São Paulo. O clássico chega com pressão para os dois lados: o Timão precisa reagir após a derrota pesada, enquanto o rival também busca consolidar estabilidade. Em jogos assim, a decisão costuma passar por duas coisas simples: quem protege melhor a zona central e quem erra menos na saída. Com pouco tempo de treino, o “básico bem feito” vira diferencial.
Comentário exclusivo
A noite foi ruim para o Corinthians porque o contraste foi brutal: de um 3 a 0 confortável para um 0 a 3 duro, em poucos dias. Isso derruba qualquer narrativa de “arrancada” e expõe um problema que não é só tático, é estrutural: elenco curto, preparação reduzida e necessidade de rotação. E quando você roda sem ter reposição do mesmo nível, o time perde padrão. O torcedor aceita dificuldade; o que ele não aceita é desorganização.
A pergunta “o que está acontecendo com São Paulo e Corinthians?” tem resposta no básico do futebol moderno: gestão. Futebol se ganha com investimento inteligente, saneamento de dívidas, governança, alteridade e honestidade interna. Não é moralismo; é eficiência. Quando o clube está instável, o campo vira reflexo. O Bragantino não ganha só por ter jogador bom; ganha porque tem processo claro: recrutamento, intensidade, ideia de jogo e continuidade. Isso encurta a distância para os grandes.
Os “patinhos feios” do interior viraram escolas de administração esportiva. Mirassol, Bragantino e outros mostram que dá para competir com pouco recurso quando se tem critério, dado e execução. Eles erram menos no planejamento e cobram mais do desempenho. Já os grandes, muitas vezes, tentam compensar lacunas de gestão com peso de camisa. Só que camisa não corre, não marca, não cobre espaço. Passado não ganha jogos — e muito menos títulos — quando o adversário está organizado e agressivo.
Dorival tem razão ao alertar que haverá dificuldades, mas discurso não pode virar muleta. O treinador precisa usar o tempo curto para ajustar o essencial: proteger o corredor central, definir quem faz a primeira pressão, reduzir buracos entre linhas e simplificar a saída. Em clássico, esse básico decide. Se o Corinthians entrar no jogo com a mesma fragilidade defensiva vista em Bragança, vira alvo fácil. E aí o debate sobre elenco vira crise de confiança dentro do vestiário.
A lição está na frente do futebol paulista: profissionalização real. Sem saneamento financeiro, sem transparência e sem critério, qualquer reforço vira remendo caro. O Corinthians precisa de elenco mais profundo, sim, mas também precisa de coerência de projeto: comprar certo, vender certo, formar certo e cobrar certo. Caso contrário, vai alternar vitórias e derrotas grandes como se fossem acidentes. Não são. São sinais de um sistema que ainda não estabilizou.
Por Pr. Rilson Mota
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