São Paulo, 15 de janeiro de 2026
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (15/1) a terceira fase da Operação Coffee Break para aprofundar investigações sobre supostas fraudes em processos de licitação pública. Nesta etapa, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo, além da execução de medidas de constrição patrimonial autorizadas judicialmente. A PF apura, em tese, atuação coordenada para manipular contratações, com indícios que ainda serão submetidos a perícia e contraditório.
Segundo a PF, a nova fase dá continuidade à operação iniciada em 12 de janeiro, quando foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva em São Paulo, Distrito Federal e Paraná. A ampliação do caso indica que o conjunto de provas coletadas na primeira ofensiva abriu novas linhas de apuração, exigindo novas diligências para localizar documentos, dispositivos eletrônicos e registros que possam esclarecer a cadeia de decisões e possíveis beneficiários.
As medidas de constrição patrimonial têm objetivo de preservar bens e valores para evitar dispersão de patrimônio durante o andamento do inquérito. Em investigações de corrupção e lavagem, esse tipo de medida é central para garantir rastreabilidade e eventual reparação ao erário, caso as suspeitas sejam confirmadas judicialmente. O bloqueio também funciona como instrumento de contenção: reduz capacidade de manter o esquema funcionando e amplia incentivo para colaboração, quando legalmente aplicável.
A investigação envolve suspeitas de crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. A depender do papel de cada investigado, as imputações podem variar. Em operações desse tipo, a responsabilização exige prova individualizada: quem solicitou, quem autorizou, quem executou, quem recebeu vantagem e como o dinheiro circulou. Sem essa individualização, casos tendem a se fragilizar em disputas processuais.
A terceira fase, por ter sido mais pontual em número de mandados, sugere ação direcionada a alvos específicos, possivelmente para completar lacunas deixadas pela etapa anterior. A PF costuma avançar em ondas quando identifica necessidade de preservar prova com rapidez, especialmente diante de risco de destruição de documentos, combinação de versões ou transferência de bens. A etapa agora tende a focar no conteúdo apreendido e na conexão entre as peças do esquema.
Em Campinas e na região metropolitana, onde há grande volume de contratações públicas e intensa cadeia de fornecedores, investigações de licitação costumam buscar padrões: repetição de empresas, simulação de competição, direcionamento de edital e combinação de preços. Também entram no radar contratos emergenciais e contratações diretas, porque são pontos de vulnerabilidade administrativa. O resultado prático dependerá de laudos, análise de documentos e cruzamento de dados com portais oficiais e registros internos.
A PF informou que os investigados poderão responder “na medida de suas responsabilidades”. Essa formulação é relevante: indica que a investigação ainda está em desenvolvimento e que nem todos os alvos necessariamente terão o mesmo nível de participação. A partir daqui, o caso costuma caminhar para fase de perícia, relatórios financeiros, análise de comunicações, eventuais quebras de sigilo e consolidação de evidências. Só então o Ministério Público avalia denúncia formal e tipificação definitiva.
Comentário exclusivo
Campinas é um ponto estratégico para entender por que investigações de licitação ganham escala: é um polo econômico, logístico e tecnológico, com alta densidade de fornecedores e grande volume de contratos públicos. Isso aumenta complexidade e também cria “oportunidades” para quem tenta manipular processos. Quando uma operação chega à terceira fase com medidas patrimoniais, o recado é que a apuração não está só no papel: ela busca rastrear dinheiro e impedir que o patrimônio se dissolva enquanto a prova é construída.
O desafio, em casos de fraude licitatória, é provar o “como”: não basta suspeitar de direcionamento, é preciso demonstrar combinação, vantagem indevida e vínculo entre decisão administrativa e benefício privado. Em Campinas e região, onde o ambiente empresarial é sofisticado, esquemas costumam usar camadas: empresas de fachada, contratos cruzados, consultorias e repasses pulverizados. Por isso, busca e apreensão tende a mirar registros digitais, e a constrição patrimonial é essencial para evitar que o rastro financeiro desapareça antes da perícia.
A credibilidade do caso dependerá de duas coisas: individualização de condutas e transparência institucional. Operação com muitos tipos penais citados pode virar “lista genérica” se não houver foco probatório. O caminho robusto é mapear a linha do tempo do contrato, identificar quem assinou cada etapa e seguir o dinheiro até o beneficiário final. Em uma cidade como Campinas, onde a sociedade é exigente e a administração pública é observada de perto, a consequência precisa ser técnica, não teatral.
Por Pr. Rilson Mota
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