Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 2025
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação de grande porte nesta quarta-feira (17) no Complexo da Maré, Zona Norte, visando desarticular o sofisticado esquema de tráfico de drogas, armas e munições do Comando Vermelho (CV). As investigações revelaram que a facção mantinha três núcleos distintos de “delivery” para a comercialização ilegal de seus produtos. A ação resultou nas primeiras prisões e na apreensão de material ilícito, impactando a logística criminosa na região.
O objetivo principal da operação era cumprir 30 mandados de busca e apreensão contra indivíduos envolvidos na cadeia de comercialização de armamentos de fogo, entorpecentes e munições. Além disso, buscava-se localizar suspeitos de crimes de tráfico de drogas e associação criminosa. As diligências não se restringiram à Nova Holanda, no Complexo da Maré, estendendo-se a outros bairros da Zona Norte do Rio e ao município de Maricá, na Região Metropolitana.
Entre os detidos, destaca-se um homem apontado como um dos líderes do esquema de “delivery” de drogas, evidenciando a desarticulação de uma peça-chave na estrutura criminosa. Uma mulher também foi presa, por ser investigada no inquérito. Além disso, um segundo homem foi detido em flagrante por conduzir uma motocicleta roubada e apresentar um documento falso, revelando a diversidade de crimes associados à facção.
Durante a operação, as equipes policiais apreenderam uma quantidade considerável de drogas, com destaque para grandes volumes de maconha e seus derivados. Motocicletas, frequentemente utilizadas nas entregas, e um carro de luxo, modelo Toyota Hilux SW4, que havia sido roubado, também foram recuperados. O material apreendido é crucial para a continuidade das investigações e para desvendar a extensão das atividades ilícitas do grupo.
Esta operação é fruto de uma investigação aprofundada da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme). Os agentes da Desarme conseguiram identificar e mapear os núcleos do Comando Vermelho responsáveis pela circulação de armamentos de alto poder ofensivo, pela complexa logística de munições e pelo abastecimento contínuo do tráfico de drogas em diversas áreas da cidade.
As investigações da Desarme revelaram que, além do núcleo que operava diretamente de dentro da Maré, a facção contava com uma estrutura ramificada. Uma família em Maricá era responsável por buscar os produtos na Nova Holanda e distribuí-los na cidade. Outro grupo se dedicava exclusivamente ao “delivery” de entorpecentes em diversos pontos da Zona Norte, expandindo o alcance do comércio ilegal.
O delegado Luis Otávio Franco, titular da Desarme, detalhou o modus operandi da quadrilha. Ele explicou que os criminosos utilizavam grupos em aplicativos de mensagens para negociar e vender armas, munições, explosivos e drogas. O sistema de “delivery” era operado por mototaxistas, que realizavam entregas de entorpecentes “um pouco mais caros” diretamente para clientes nas ruas, mostrando a adaptação do tráfico às novas tecnologias.
A ação desta quarta-feira, inserida no âmbito da Operação Contenção, foi coordenada pela Desarme, contando com o apoio tático e estratégico da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de diversas unidades do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE). Essa colaboração entre diferentes setores da Polícia Civil é fundamental para o sucesso de operações complexas em áreas de alto risco.
No início da operação, as equipes foram surpreendidas por disparos de criminosos, gerando um breve confronto. O delegado Luís Otávio Franco relatou que os traficantes utilizavam “seteiras” – aberturas estratégicas em muros e edificações – para atirar contra os policiais. Felizmente, não houve registro de feridos, mas a situação expôs o nível de organização e a periculosidade dos grupos armados na comunidade.
Franco destacou a periculosidade da situação: “Entramos e achamos que não teria resistência. Houve uma troca de tiros e, graças a Deus, ninguém foi lesionado. Encontramos seteiras usadas em guerrilhas”. Ele alertou que essas “seteiras eram viradas para Avenida Brasil”, o que significa que os criminosos poderiam atingir não apenas os policiais, mas também pessoas que passavam pela movimentada via.
A operação teve um impacto direto na rotina da comunidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME), o funcionamento de 22 unidades de ensino na região foi afetado, com aulas suspensas ou atividades alteradas. Essa interrupção na educação é uma das consequências mais visíveis e lamentáveis da violência e da presença do tráfico em áreas urbanas, prejudicando o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
Em suma, a operação na Maré representa um avanço significativo no combate ao tráfico de drogas e armas no Rio de Janeiro. A desarticulação dos núcleos de “delivery” e a apreensão de material ilícito enfraquecem a logística do Comando Vermelho. Contudo, a complexidade da atuação criminosa e o impacto social da violência ressaltam a necessidade de estratégias contínuas e multifacetadas para garantir a segurança e a paz nas comunidades.
Comentário Exclusivo:
A coragem e o profissionalismo dos policiais que atuaram nesta operação são inquestionáveis. Mesmo diante de um confronto armado e da perigosa tática de “seteiras” utilizadas pelos criminosos, as equipes mantiveram a calma e a precisão, garantindo a segurança e o sucesso da missão. A ausência de feridos entre os agentes é um testemunho da excelência do treinamento e da coordenação tática, protegendo vidas e cumprindo o dever com bravura.
O planejamento meticuloso da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), aliado ao apoio tático da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e das unidades do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), foi fundamental. Essa integração de forças e a dedicação dos policiais resultaram na desarticulação de um esquema complexo de tráfico, retirando armas e drogas de circulação e trazendo mais segurança para a população carioca.
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Por Pr. Rilson Mota






