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Fritura no Planalto: Lula isola Toffoli e sugere renúncia do ministro após crise do Banco Master

Rilson Mota por Rilson Mota
26 de janeiro de 2026
em Brasil, Política
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Fritura no Planalto: Lula isola Toffoli e sugere renúncia do ministro após crise do Banco Master

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Brasília, 26 de janeiro de 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem manifestado uma crescente e profunda irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, especialmente pela condução do inquérito que envolve o Banco Master. Segundo relatos de auxiliares próximos, o petista acompanha com lupa cada desdobramento do caso, demonstrando preocupação com o desgaste que a atuação do magistrado pode causar à imagem da corte e do próprio governo. Lula sinalizou que não pretende atuar como escudo para o ministro.

Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares diretos, o presidente fez comentários considerados extremamente duros sobre o desempenho de Toffoli. Em momentos de desabafo, Lula teria chegado a afirmar que o ministro deveria considerar a renúncia ao seu mandato na corte ou antecipar sua aposentadoria. Esses relatos, colhidos nos bastidores do poder, indicam que a paciência do chefe do Executivo com o magistrado, que ele mesmo indicou em 2009, atingiu um ponto de ruptura sem precedentes.

O presidente pretende convocar Toffoli para uma nova conversa presencial para tratar especificamente de sua conduta no inquérito. No final do ano passado, ambos já haviam discutido o tema, mas as novas revelações sobre o caso azedaram definitivamente o clima. Apesar dos rompantes de irritação, colaboradores próximos duvidam que Lula vá, de fato, pedir formalmente o afastamento do ministro. O incômodo, contudo, é real e visa proteger a imagem institucional do governo contra acusações de conivência.

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Lula está particularmente incomodado com o desgaste causado por notícias que expuseram laços de parentes de Toffoli com fundos de investimento ligados à teia do Banco Master. O petista também reclamou abertamente do sigilo elevado imposto ao processo, o que alimentou o receio de que a investigação pudesse ser abafada. Para o presidente, o governo precisa demonstrar que combate fraudes financeiras sem poupar poderosos, evitando críticas sobre eventuais interferências políticas que possam paralisar o andamento da justiça.

“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”, afirmou Lula em um evento recente. Essa declaração pública foi interpretada como um recado direto ao tribunal. O presidente acredita que o caso deve prosseguir com total transparência, mesmo que as investigações acabem atingindo figuras do próprio governo ou aliados próximos, visando manter a credibilidade das instituições de controle e fiscalização.

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, possui conexões que atravessam o espectro político, atingindo o Centrão e aliados do PT na Bahia. O empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição, é apontado como próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do líder do governo, Jaques Wagner. Essa proximidade torna o caso politicamente sensível, mas Lula parece disposto a permitir que a investigação avance para evitar que o governo seja tragado por um novo escândalo de proporções sistêmicas.

Desde o final de 2024, o Planalto monitora a evolução do inquérito com desconfiança. Lula ficou intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo um pedido da defesa de Vorcaro para levar as investigações ao STF. A medida ocorreu pouco antes de revelações sobre contratos milionários envolvendo o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes. Para Lula, o excesso de segredo pode ser o prelúdio de uma “grande pizza” jurídica que desmoralizaria o combate à corrupção.

Em dezembro, Lula convidou Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, com a presença de Fernando Haddad, para sondar as intenções do magistrado. Na ocasião, o presidente afirmou que tudo o que foi desvendado deveria ser levado às últimas consequências. Ele queria entender se o tribunal estava disposto a enfrentar o poder econômico do banco. Toffoli garantiu que nada seria abafado, e Lula chegou a dizer que a relatoria seria uma oportunidade para o ministro reescrever sua biografia.

Entretanto, as revelações subsequentes colocaram Toffoli sob uma pressão insuportável. As críticas agora focam na viagem de jatinho que o ministro realizou na companhia de um dos advogados da causa, além de negócios que associam seus irmãos a fundos ligados ao Master. Toffoli, por sua vez, descarta abdicar do processo, alegando que não há elementos que comprometam sua imparcialidade. Ele sustenta que as relações familiares e a viagem não configuram impedimento legal para continuar na relatoria.

O histórico de tensões entre Lula e Toffoli é longo e marcado por mágoas pessoais profundas. O presidente coleciona decepções com o ex-advogado do PT, sendo a mais dolorosa o impedimento de assistir ao velório de seu irmão, Vavá, em 2019. Toffoli só pediu desculpas por essa decisão em dezembro de 2022, após a eleição de Lula. Esse perdão tardio parece não ter sido suficiente para apagar a desconfiança do petista em relação à lealdade e ao discernimento do ministro.

A estratégia de Lula agora é de distanciamento tático. Ao não defender Toffoli das críticas, o presidente deixa o ministro exposto ao julgamento da opinião pública e dos próprios pares no Supremo. Essa “fritura” pública serve como um aviso de que o apoio do Planalto não é incondicional. O governo teme que o desgaste de Toffoli contamine a agenda política e econômica, especialmente em um momento de recordes de arrecadação e pressões por maior transparência nos gastos públicos.

A percepção de que o caso Banco Master pode abalar a oposição é um fator que Lula leva em conta, mas o risco de “fogo amigo” é real. O presidente tem dito a auxiliares que prefere o desgaste de uma investigação completa ao risco de ser acusado de obstrução de justiça. A independência dos poderes é o argumento oficial, mas a irritação pessoal de Lula demonstra que a política e o judiciário em Brasília continuam intrinsecamente ligados por fios de tensão e conveniência.

O desfecho desta crise dependerá da capacidade de Toffoli em manter a relatoria sem sofrer um processo de suspeição. No STF, o impedimento de ministros geralmente ocorre apenas por autodeclaração, o que torna a situação ainda mais complexa. Se o ministro insistir em permanecer no caso sob forte suspeita, o desgaste institucional poderá atingir níveis insustentáveis. Lula, enquanto isso, observa de longe, pronto para se desvincular de qualquer resultado que cheire a impunidade ou favorecimento indevido.

A relação entre o criador e a criatura parece ter chegado ao seu limite técnico e político. Lula, ao sugerir a aposentadoria de Toffoli, sinaliza que o ciclo do ministro no Supremo pode estar perto do fim, ao menos no que depender da vontade do Planalto. O caso Banco Master é o catalisador de uma insatisfação represada por anos, transformando um antigo aliado em um fardo político que o presidente não parece mais disposto a carregar em sua jornada administrativa.


Comentário Exclusivo: O Isolamento de Lula e a Erosão das Instituições

A irritação de Lula com Dias Toffoli é apenas o sintoma de um isolamento institucional muito mais profundo. O presidente enfrenta dificuldades severas com seus aliados diretos no Senado e na Câmara, além de um desgaste evidente em sua administração. O governo atual parece uma cópia empalidecida de mandatos anteriores, repetindo fórmulas que já mostraram sinais de exaustão, especialmente no que tange ao combate à corrupção sistêmica e ao aparelhamento estatal.

A condução da política externa brasileira tem se mostrado desastrosa, com um alinhamento global a ditadores conhecidos por violarem direitos humanos. Esse posicionamento retira a autoridade moral do Brasil em fóruns internacionais e gera atritos desnecessários com democracias consolidadas. Lula parece ignorar que o mundo mudou e que a retórica do “Sul Global” não apaga as atrocidades cometidas por regimes autoritários. Esse descompasso entre o discurso humanitário e a prática diplomática é um dos grandes gargalos do atual mandato.

Internamente, o crescimento e o domínio de territórios por facções criminosas atingiram níveis alarmantes. A segurança pública é o calcanhar de Aquiles deste governo, que não consegue apresentar um plano nacional robusto para retomar o controle estatal sobre áreas dominadas pelo crime organizado. A sensação de insegurança da população é real e contrasta com a propaganda oficial. O domínio territorial das facções é uma afronta direta à soberania nacional e exige uma resposta que vá além de discursos e reuniões ministeriais.

Na economia, a alta carga tributária culminou em um recorde de arrecadação em 2025, mas sem a contrapartida esperada na qualidade dos serviços públicos. O cidadão brasileiro paga impostos de primeiro mundo para receber serviços de terceiro, o que gera uma revolta silenciosa que corrói a base de apoio do governo. O foco excessivo na arrecadação para fechar contas fiscais, sem um corte real de gastos e privilégios, demonstra uma falta de coragem política para enfrentar as

reformaCréditos: Reportagem extraída do jornal de Brasília (usado de acordo com a Cláusula 27a da Lei de Direitos Autorais).s estruturais que o país necessita.

Por Pr. Rilson Mota

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