Marquinho, 20 de janeiro de 2026
O Ministério Público do Paraná, por meio do Núcleo de Guarapuava do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ofereceu denúncia contra o ex-secretário de Finanças do Município de Marquinho. O documento, apresentado na última sexta-feira (16), acusa o ex-gestor de crimes de concussão e lavagem de dinheiro. As investigações fazem parte da Operação Arrendo, que apura desvios em contratos públicos na região Centro-Sul do estado.
As apurações foram conduzidas em conjunto pelo Gaeco e pelo Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria). Segundo o Ministério Público, o ex-secretário teria exigido propina de empresários que mantinham contratos com a prefeitura durante sua gestão, entre 2021 e 2025. As provas colhidas indicam que o patrimônio do denunciado teve acréscimo de R$ 520 mil no período, enquanto seus rendimentos brutos somaram aproximadamente R$ 221 mil.
Foram imputados ao ex-secretário sete crimes de concussão, caracterizados quando o agente público exige vantagem indevida em razão do cargo que ocupa. As vantagens exigidas teriam somado pelo menos R$ 50 mil. O Ministério Público também denunciou o crime de lavagem de dinheiro, pela dissimulação dos valores de propina em veículos e gado. A estratégia de ocultação buscava dar aparência lícita aos recursos ilícitos obtidos.
A partir da denúncia, o Ministério Público requereu a condenação do denunciado à perda do valor obtido ilicitamente com os crimes de concussão, bem como ao montante acrescido ilegalmente ao seu patrimônio. O pedido inclui a devolução dos R$ 50 mil em vantagens indevidas e a restituição da diferença patrimonial não justificada pelos rendimentos declarados. O caso segue para análise judicial, com possibilidade de condenação penal e administrativa.
A Operação Arrendo, que deu origem às investigações, tem como foco a apuração de irregularidades em contratos de arrendamento e prestação de serviços no município de Marquinho. O trabalho conjunto entre Gaeco e Gepatria permitiu cruzar dados financeiros, patrimoniais e testemunhais para identificar o esquema de corrupção. A estratégia de usar gado como meio de lavagem é comum em regiões rurais, onde o ativo serve para ocultar fluxos financeiros ilícitos.
O ex-secretário responde agora perante a Justiça pelos crimes imputados, com risco de perda de bens e prisão. O caso serve de alerta para outros gestores públicos sobre o rigor do controle exercido pelo Ministério Público paranaense. A atuação do Gaeco em Guarapuava reforça o compromisso institucional com o combate à corrupção em todas as esferas, especialmente em municípios de menor porte, onde a fiscalização costuma ser mais desafiadora.
Comentário exclusivo
O caso de Marquinho é um clássico da corrupção municipal brasileira: pequeno município, grande desvio. O ex-secretário usou o cargo para extorquir empresários, mas o erro foi na dissimulação. Aumento patrimonial de R$ 520 mil com renda de R$ 221 mil é uma bandeira vermelha que qualquer sistema de controle deveria capturar. A lavagem via gado e veículos é primitiva, mas eficaz em regiões rurais, onde o rastreamento de ativos é mais complexo. O Gaeco acertou ao cruzar dados patrimoniais com a rotina de contratos.
A Operação Arrendo mostra a importância da atuação especializada do Ministério Público em municípios pequenos. Em cidades como Marquinho, o controle interno é frágil e as relações pessoais podem blindar irregularidades. O Gaeco e o Gepatria funcionam como contrapeso necessário, mas chegam tarde: o esquema durou quatro anos. A prevenção exige transparência ativa nos contratos e auditorias periódicas por órgãos externos, não apenas reação após o dano.
A estratégia de lavagem com gado revela como o crime se adapta ao ambiente rural. O animal é ativo de liquidez moderada, valor variável e difícil rastreamento de origem. Combinado com veículos, cria uma cortina de fumaça para recursos ilícitos. O combate a isso exige integração entre Receita Federal, órgãos de defesa agropecuária e Ministério Público. Sem isso, o gado vira moeda de corrupção, e o campo, refém de esquemas que sufocam o desenvolvimento local.
Por fim, a denúncia é só o começo. O desafio agora é a recuperação dos ativos e a responsabilização efetiva. O Ministério Público pediu a perda dos valores, mas a execução pode levar anos. Enquanto isso, o município segue com prejuízo e desconfiança. A lição é clara: corrupção em pequena escala destrói a credibilidade da gestão pública e afasta investimentos. Marquinho paga o preço, mas o exemplo deve servir para outros municípios reforçarem seus controles antes que o Gaeco precise intervir.
Por Pr. Rilson Mota
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