DAVOS, 20 de janeiro de 2026
O presidente argentino, Javier Milei, incluiu uma atividade extra em sua agenda no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Ele participará da cerimônia de assinatura do Conselho de Paz proposto por Donald Trump, iniciativa voltada à reconstrução da Faixa de Gaza. A decisão reforça o alinhamento pragmático de Milei com Washington, contrastando com hesitações de outros líderes globais sobre a legitimidade do grupo.
Milei chegou à Suíça na terça-feira, após voo que partiu de Buenos Aires às 21h da segunda-feira. O pouso ocorreu às 15h30, horário local. Sua delegação inclui ministros como Luis Caputo (Economia), Federico Sturzenegger (Desregulamentação) e Pablo Quirno (Relações Exteriores), além da Secretária-Geral da Presidência, Karina Milei. A comitiva visa maximizar o tempo em Davos para reuniões econômicas e diplomáticas.
Na quarta-feira, Milei terá um encontro breve com o presidente suíço Guy Parmelin às 10h05. Em seguida, participará do Diálogo Estratégico sobre a Argentina, reunindo-se com CEOs e executivos de grandes empresas. O objetivo é fomentar alianças comerciais e atrair investimentos, alinhado à agenda de desregulamentação do governo argentino.
Às 11h30, o presidente se reunirá com CEOs de bancos globais para discutir oportunidades de financiamento. Às 15h30, encontrará Børge Brende, presidente executivo do Fórum Econômico Mundial. Embora sem pedido formal, especula-se um encontro com Trump, já que ambos estarão no evento. Milei discursará após o republicano, potencializando visibilidade internacional.
Na quinta-feira, antes da coletiva de imprensa, Milei assinará a carta fundadora do Conselho de Paz às 10h30. A cerimônia formaliza a adesão argentina ao grupo liderado por Trump, que busca administrar a reconstrução de Gaza. O evento ocorre em Davos, simbolizando a interseção entre economia e geopolítica. Milei vê a participação como oportunidade de projetar influência regional.
Após a assinatura, o presidente concederá entrevistas à Bloomberg News e à The Economist, com Zanny Minton Beddoes. As conversas focarão em economia argentina, liberalismo e o novo papel internacional do país. Milei aproveitará para defender reformas estruturais, como redução do Estado e atração de capitais estrangeiros.
O voo de retorno está programado para às 18h (horário suíço), com pouso em Buenos Aires na sexta-feira às 6h. A agenda intensa reflete a estratégia de Milei de usar Davos como plataforma para alianças pragmáticas. O Conselho de Paz, com taxa de adesão de US$ 1 bilhão, representa um compromisso financeiro e político para a Argentina.
A participação de Milei contrasta com a cautela brasileira e francesa. Enquanto Lula hesita em consultas, Milei age rapidamente, fortalecendo laços com Trump. Isso pode posicionar a Argentina como ponte entre o Ocidente e o Sul Global, especialmente em temas como energia e comércio. O pragmatismo econômico guia as decisões diplomáticas do governo argentino.
A cerimônia em Davos marca um momento simbólico para o multilateralismo alternativo proposto por Trump. O Conselho busca contornar a ONU, focando em reconstrução prática de Gaza. Milei, como aliado declarado, ganha protagonismo ao integrar o grupo, potencializando negociações bilaterais com os EUA sobre dívida e investimentos.
A agenda de Milei em Davos combina economia e geopolítica, refletindo sua visão de que prosperidade nacional passa por inserção internacional ativa. A assinatura do Conselho de Paz é um sinal de compromisso com estabilidade global, mesmo em regiões distantes da América Latina. O retorno à Argentina trará lições para reformas domésticas.
Comentário exclusivo
A decisão de Milei de assinar o Conselho de Paz em Davos revela um pragmatismo diplomático que falta a muitos líderes latino-americanos. Enquanto Lula se perde em consultas intermináveis, Milei age com velocidade, alinhando-se a Trump para ganhar influência. Isso não é subserviência, mas cálculo estratégico: a Argentina precisa de investimentos e renegociação de dívida, e Trump oferece acesso direto. O contraste com o Brasil mostra como ideologias podem paralisar, enquanto o realismo acelera.
O Conselho proposto por Trump é uma tentativa de contornar a ONU, criando um multilateralismo paralelo focado em resultados práticos. Milei, ao aderir, posiciona a Argentina como parceira confiável no Ocidente, potencializando negociações econômicas. A taxa de US$ 1 bilhão é um compromisso financeiro, mas simbólico para países emergentes. Para a Argentina, é investimento em estabilidade global que pode refletir em benefícios locais, como redução de risco-país.
A ausência de palestinos no Conselho é um ponto crítico que Milei ignora por pragmatismo. Trump prioriza administração sobre inclusão, o que pode gerar conflitos futuros. Milei, como liberal radical, vê isso como oportunidade de influenciar de dentro, mas corre risco de alienar aliados árabes. A diplomacia não é só alianças; é equilíbrio. Se o Conselho falhar em incluir vozes locais, pode virar ferramenta de hegemonia, não paz.
A agenda de Milei em Davos combina encontros econômicos com geopolítica, refletindo sua visão integrada. Reuniões com CEOs e bancos visam atrair capitais para reformas argentinas. A assinatura do Conselho adiciona camada de influência internacional, mas exige coerência: se Milei fala de liberdade econômica, deve demonstrar resultados domésticos. O risco é que o protagonismo global mascare fracassos internos.
Comparado a Lula, que hesita por medo de contradição ideológica, Milei mostra coragem diplomática. O brasileiro teme críticas de esquerda por alinhar-se a Trump; o argentino prioriza benefícios concretos. Isso pode elevar a Argentina no cenário internacional, enquanto o Brasil perde espaço. O pragmatismo de Milei é lição para líderes que misturam política externa com palanque eleitoral.
O Conselho de Paz é uma aposta arriscada porque depende da liderança de Trump, volátil e imprevisível. Se o republicano perder influência, o grupo pode se dissolver. Milei precisa de plano B: fortalecer Mercosul e Brics sem depender de um aliado único. A diplomacia sustentável é diversificada, não concentrada. O risco de isolamento se Trump falhar é real para a Argentina.
A participação de Milei pode abrir portas para a Argentina em negociações com Israel e EUA, mas com custo reputacional. Críticos verão isso como abandono de princípios multilaterais. Para Milei, é realismo: paz em Gaza beneficia comércio global, e a Argentina ganha visibilidade. O teste será se o Conselho entrega resultados práticos, ou se vira mais um fórum vazio. O tempo dirá se o pragmatismo de Milei foi visão ou oportunismo.
Em resumo, a assinatura de Milei é um movimento audacioso que pode redefinir o papel da Argentina na geopolítica. Lula, preso a consultas, perde o trem. Milei acelera, mas deve equilibrar ganhos com riscos. A diplomacia moderna exige velocidade e cálculo, não hesitação ideológica. Se o Conselho prosperar, Milei ganha; se falhar, paga o preço da aposta alta. A lição para o Brasil é clara: pragmatismo vence ideologia.
Por Pr. Rilson Mota
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