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Quase 90 facções no mapa e a eleição no horizonte: crime organizado vira teste decisivo para o governo

Rilson Mota por Rilson Mota
19 de janeiro de 2026
em Brasil, Política
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Quase 90 facções no mapa e a eleição no horizonte: crime organizado vira teste decisivo para o governo

Ao dar posse a Wellington César Lima e Silva, Lula destaca área como "missão de Estado" - (crédito: Isaac Amorim/MJSP)

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Brasília19 de janeiro de 2026

A segurança pública entra em modo de urgência no início do ano eleitoral, com o avanço de facções impondo pressão sobre governos e candidatos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu o combate ao crime organizado como prioridade e classificou o tema como “missão de Estado” ao empossar o novo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. O Planalto busca evitar que a pauta seja capturada por adversários.

O desafio se torna mais complexo porque os indicadores não contam uma história única. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, a taxa de mortes violentas intencionais (MVI) em 2024 caiu para 20,8 por 100 mil habitantes, o menor patamar desde 2012. Ainda assim, a sensação de insegurança persiste, alimentada por expansão territorial de grupos criminosos, mudanças de padrão e crescimento de crimes de alta rentabilidade, inclusive fora do narcotráfico.

A percepção pública aparece em pesquisas de opinião. Levantamento Genial/Quaest divulgado em novembro apontou que 38% dos entrevistados viam a violência como a maior preocupação nacional. O dado converge com diagnósticos sobre capilaridade das facções e com a leitura de que o crime organizado funciona como um “sistema” que ocupa espaço onde o Estado falha: fronteiras porosas, presídios superlotados, baixa capacidade investigativa e desigualdades locais que fragilizam comunidades.

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O mapeamento mais citado no debate recente vem da Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias (Senappen), que identificou em 2024 88 organizações criminosas (orcrims) no sistema prisional. Segundo esses dados, 98% operariam com estrutura hierárquica, e 91% teriam alto poder financeiro. A leitura central é que as principais facções brasileiras deixaram de ser apenas grupos locais e passaram a operar com lógica empresarial, inclusive com ramificações transnacionais.

No centro da estratégia do governo está a tentativa de avançar com a PEC da Segurança Pública, em tramitação no Congresso. A proposta é apresentada como forma de dar mais instrumentos de coordenação ao governo federal, inclusive financeiros, para integrar ações com as polícias estaduais. O problema político é previsível: governadores, sobretudo de oposição, resistem a abrir espaço para o Planalto em uma área onde a direita historicamente disputa narrativa e votos com mais facilidade.

Enquanto o debate institucional se arrasta, a expansão das facções segue em diferentes velocidades. O mapeamento citado aponta que 72 orcrims têm atuação local, 14 regional, e duas são classificadas como nacionais/transnacionais: o Primeiro Comando da Capital (PCC), nascido em presídios paulistas, e o Comando Vermelho (CV), originado no sistema penitenciário fluminense. Essa escala importa porque define capacidade de financiar logística, corromper redes e disputar rotas estratégicas.

A principal transformação dos últimos anos é a diversificação do “portfólio” criminoso. Além do tráfico, facções ampliaram ganhos em crimes ambientais, grilagem de terras, exploração de serviços e, cada vez mais, fraudes digitais. Trata-se de um movimento racional: maior margem, menor risco penal em alguns tipos de delito e possibilidade de pulverização das operações para reduzir vulnerabilidade. Na prática, isso dificulta a resposta estatal, que precisa combinar repressão, inteligência financeira e regulação tecnológica.

PCC e CV, segundo avaliações recorrentes de especialistas e forças de segurança, estão presentes em praticamente todo o país, com exceções e particularidades regionais. O Rio Grande do Sul, por exemplo, é descrito como dominado por quadrilhas locais tradicionais, com acordos operacionais variáveis. Esse mosaico demonstra que o crime não é uniforme: há “mercados” regionais com regras próprias, alianças, dissidências e disputas por rotas, presídios e influência comunitária.

A Polícia Federal (PF) tem defendido que o enfrentamento precisa migrar do confronto armado para a descapitalização das organizações. O diretor-geral Andrei Rodrigues afirmou que a estratégia busca retirar recursos como imóveis, automóveis, aeronaves e criptoativos, atingindo lideranças que, segundo ele, muitas vezes não aparecem no território e operam à distância. A aposta é reduzir capacidade de pagamento, compra de armas e recrutamento, enfraquecendo o comando econômico do crime.

Essa lógica depende de integração operacional. A PF sustenta que as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) ajudaram a identificar e bloquear R$ 160 milhões em operações recentes, ampliando coordenação com forças estaduais. Ao mesmo tempo, a instituição faz um alerta: “quando tudo vira crime organizado, nada é crime organizado”. A crítica é técnica e política: rotular qualquer delito como orcrim pode diluir foco, confundir instrumentos legais e virar marketing, não estratégia.

O avanço na Amazônia Legal aparece como ponto de atenção. A região combina rotas do tráfico de drogas produzidas em Bolívia, Colômbia e Peru com vastidão territorial, rios extensos e presença de economias ilegais, como ouro e madeira. A geografia dificulta fiscalização e amplia vantagem logística das facções. Nesse cenário, a segurança pública se mistura com política ambiental e soberania territorial, porque o crime ocupa cadeias produtivas ilícitas e captura serviços locais pela força ou por dinheiro.

A pesquisa Cartografias da Violência na Amazônia 2025 sugere padrões distintos de atuação de PCC e CV. Segundo a leitura apresentada, o PCC operaria de forma mais discreta e seletiva, voltado a corredores logísticos e portos, com hegemonia em cerca de 90 municípios amazônicos. O CV, por outro lado, teria registrado expansão mais rápida, saltando de 128 cidades sob influência em 2023 para 286 em 2025, ampliando presença territorial.

Especialistas como o pesquisador Bruno Paes Manso descrevem estratégias diferentes. Em sua avaliação, o PCC teria priorizado mercado internacional de drogas e lavagem de dinheiro, fortalecendo vínculos com redes externas e mantendo relevância em presídios. O CV, por sua vez, seria menos centralizado e se reproduziria como uma espécie de “franquia”, com lideranças locais que ganham autonomia. Essa diferença importa porque altera a forma de repressão: um modelo exige foco financeiro; o outro, foco territorial.

A chamada Rota Solimões é citada como exemplo de “simbiose” entre narcotráfico e crimes ambientais, transformando rios em corredores de cocaína andina. O estudo aponta que a densidade da floresta e a complexidade geográfica reduzem a capacidade estatal de controle permanente. Nesse contexto, o CV é descrito como dominante no transporte fluvial com apoio local, enquanto o PCC é apontado como mais concentrado em rotas aéreas, seguindo lógica mais verticalizada e seletiva.

No Nordeste, os dados do anuário indicam o maior número de mortes violentas do país, com destaque para desigualdades estruturais. O relatório citado aponta que, em Alagoas, uma pessoa negra teria 47,8 vezes mais chance de ser vítima de homicídio do que uma não negra, evidenciando assimetria social e racial do risco. A violência, nesse quadro, não é apenas disputa criminal: ela se acopla a vulnerabilidades históricas e a políticas públicas insuficientes.

A lista das cidades mais violentas reforça a centralidade do Nordeste no debate. Segundo o anuário, Maranguape (CE) lidera com MVI de 79,9 por 100 mil, com disputas sangrentas por distribuição e varejo de drogas. O texto menciona conflitos envolvendo facções locais, como Bonde dos 40 e Guardiões do Estado (GDE), além de grupos de âmbito nacional. O resultado é um ambiente de instabilidade permanente, que amplia medo e desorganiza economia local.

A Bahia aparece como sinal de interiorização do crime organizado, com cinco municípios entre os dez mais violentos do país, segundo o anuário. Jequié teria subido no ranking, com taxa de 77,6, e Juazeiro estaria em terceiro, com 76,2. O quadro descrito envolve disputa entre PCC e CV e organizações locais como Bonde dos Malucos e Honda, ampliando a complexidade do controle territorial e a fragmentação dos conflitos.

No Centro-Oeste, o crime organizado é associado à logística do escoamento agrícola e ao uso de corredores rodoviários. O texto destaca Mato Grosso do Sul como responsável por 41% das apreensões de maconha no Brasil, conectando o dado ao papel da BR-163 como eixo de transporte. Também menciona a atuação de dissidências e alianças regionais, mostrando que a economia do crime se organiza em torno de rotas, pontos de passagem e proteção armada.

A exploração ilegal da floresta surge como fronteira de expansão. O caso citado da Terra Indígena Sararé (MT) aponta controle de garimpo ilegal por grupo criminoso, com cobrança de “mensalidades” de até 100g de ouro, valor estimado em cerca de R$ 70 mil, segundo o texto. O ponto central é a profissionalização do controle: cobrança sistemática, “proteção” e captura de uma economia que mistura destruição ambiental, violência e lavagem de recursos, com impacto direto em comunidades vulneráveis.

No Sudeste, a dinâmica se divide entre confronto visível e crime de alta rentabilidade. No Rio de Janeiro, o texto destaca operações de desarticulação de fábricas de fuzis e o peso do armamento nas mãos de facções. O argumento é que esse arsenal sustenta bases territoriais em comunidades e eleva risco de confrontos. Ao mesmo tempo, a visibilidade de operações e tiroteios cria pressão social imediata, influenciando decisões políticas e o debate eleitoral local e nacional.

O texto também menciona o custo humano de operações. Em outubro do ano passado, segundo a reportagem, uma operação em comunidades da Zona Norte do Rio para capturar lideranças do CV teria resultado em mais de 120 mortos. O NEV/USP é citado com avaliação de ineficácia e leitura de caráter político-eleitoral, relacionada a projeções para 2026. Independentemente da disputa de interpretação, o dado expõe o dilema: alta letalidade pode gerar impacto imediato sem resolver estrutura econômica do crime.

Em São Paulo, apesar de ser berço do PCC, a taxa de homicídios é descrita como a menor do país, 8,2 por 100 mil. O texto sugere que o foco criminoso migrou para o mercado financeiro e para fraudes de alta escala. A consequência é um tipo de insegurança menos “visível” do que tiroteio, mas muito danosa: golpes, roubo de identidade, perda patrimonial e redes de receptação, com impacto direto em empresas e consumidores.

A reportagem cita uma “epidemia” de estelionatos em São Paulo, com taxa 71,1% superior à média nacional, e descreve celulares como motor de crimes digitais. O estado responderia por 31,4% das ocorrências de furtos e roubos de celulares no país, segundo o anuário. A lógica é econômica: aparelhos alimentam fraude, acesso a contas e, depois, receptação e exportação. São crimes de alta rentabilidade e, em muitos casos, de menor risco percebido.

O texto também cita o Atlas da Violência 2025, segundo o qual o estelionato eletrônico chegou perto de 2 milhões de registros em 2023, com um golpe a cada 16 segundos. Esse padrão altera a agenda de segurança, porque exige perícia digital, integração bancária, inteligência financeira e cooperação internacional. Sem isso, o Estado corre atrás do prejuízo. O crime se torna “serviço” e “plataforma”, e não apenas território, mudando a forma como a população percebe ameaça.

No Sul, a disputa é por portos e fronteiras. A reportagem menciona controle de acessos a terminais como Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS), e destaca Paranaguá como terceiro em volume de apreensões de cocaína. Há, porém, particularidade: o controle não seria monopolizado por PCC ou CV, mas por facções domésticas em acordos operacionais com grupos nacionais. No Rio Grande do Sul, são citadas quadrilhas como Bala na Cara, Antibala e Manos.

O ano eleitoral transforma esse quadro em arena política. O cientista político Antônio Flávio Testa é citado ao afirmar que o tráfico internacional de drogas é motor das organizações criminosas e deve ditar a agenda de 2026, com impacto também em eleições municipais posteriores. A pressão tende a crescer porque o problema é continental e envolve fronteiras e rotas internacionais. Para o governo, o desafio é provar capacidade de coordenação sem politizar o fenômeno.

No Palácio do Planalto, a prioridade declarada tenta evitar que a oposição monopolize o tema. Ao mesmo tempo, a agenda depende de cooperação com estados, Congresso e sistema de Justiça. A fotografia do crime no Brasil mostra um fenômeno híbrido: facções que controlam território, redes financeiras sofisticadas e expansão transnacional. Em ano de voto, a tentação é buscar respostas rápidas e visíveis; o risco é confundir visibilidade com eficiência e repetir ciclos de curto prazo.

Créditos: Reportagem extraída do Jornal Correio Brasiliense (usado de acordo com a Cláusula 27a da Lei de Direitos Autorais).


Comentário exclusivo

Ano eleitoral sempre muda o “timing” da segurança pública. Quando o governo afirma que combater facções é prioridade agora, parte do público pergunta, com razão, por que agora. A segurança não virou problema ontem; ela se acumulou por anos. O risco é transformar política de Estado em política de campanha: muita fala, muita agenda, pouca entrega estruturante. Segurança não se resolve com anúncio, e sim com metas, orçamento, integração real e continuidade, mesmo quando a eleição passa.

A credibilidade é o ativo mais escasso. Se a população percebe que o governo só acelera quando a pauta vira ameaça eleitoral, o efeito é cinismo: “fizeram porque precisavam de voto”. E cinismo é corrosivo, porque reduz cooperação social, aumenta tolerância ao ilegal e amplia espaço para salvadores da pátria. Por isso, a primeira tarefa do governo não é apenas agir; é provar que a ação é consistente, planejada e mensurável, e não apenas resposta ao noticiário.

O caso do Rio de Janeiro em 2025, com grandes operações e disputa política sobre coordenação, ilustra um problema clássico: federalismo conflitivo. Há momentos em que críticas públicas entre União e estado viram ruído operacional. Segurança exige comando integrado e comunicação madura. Se um ente acusa o outro, o crime assiste e adapta. Quando a população apoia ações locais e o governo federal reage tardiamente, a leitura vira oportunismo. O governo precisa liderar por cooperação, não por rivalidade com governadores.

A pergunta “até quando a população vai suportar” tem resposta técnica: até o limite da legitimidade. Se o cidadão não se sente protegido, ele muda rotina, reduz circulação, arma-se informalmente ou aceita “proteção” paralela. Isso é o caminho para a captura social. O governo, então, precisa entregar proteção cotidiana: reduzir homicídios e também reduzir extorsão, roubo de celular e estelionato digital. Segurança não é só tiroteio; é previsibilidade de vida e confiança no Estado.

O Brasil não enfrenta “um” crime organizado; enfrenta um ecossistema com quase 90 grupos mapeados no sistema prisional, segundo a Senappen, e com duas marcas nacionais que funcionam como redes. Esse dado derruba soluções simplistas. Não basta prender; é preciso desestruturar finanças, rotas e governança prisional. Sem controle efetivo de presídios, facções continuam mandando. E sem fronteira monitorada, o fluxo de cocaína, armas e ouro ilegal segue alimentando caixa e poder.

A prioridade correta é seguir o dinheiro, como a PF tem defendido. Mas descapitalização real não é espetáculo: exige perícia financeira, cooperação com bancos, regras claras de criptoativos, capacidade de confisco e gestão do que é apreendido. O cidadão só acredita quando vê efeito: menos armas nas ruas, menos domínio territorial, menos extorsão. Se a “descapitalização” vira só manchete, as facções se reorganizam. Elas são adaptativas; o Estado, muitas vezes, é burocrático e lento.

A PEC da Segurança Pública pode ser instrumento, mas também pode virar campo de guerra eleitoral. Governadores temem perder autonomia; o Planalto quer coordenar. O equilíbrio técnico é possível: coordenação federal com respeito federativo, padronização de dados, financiamento condicionado a metas e integração via Ficcos sem politização. O problema é que, em ano eleitoral, qualquer ajuste vira disputa de protagonismo. E protagonismo não derruba facção; o que derruba facção é operação integrada, persistente e silenciosa.

Outro ponto negligenciado é o crime ambiental como “novo petróleo” das facções na Amazônia Legal. A simbiose entre tráfico e garimpo ilegal cria um mercado que mistura arma, corrupção local e logística fluvial. Combater isso exige presença do Estado, não apenas polícia: fiscalização ambiental, Receita, inteligência, Forças Armadas em logística, e proteção de comunidades. Se o governo tratar isso como pauta “secundária” ou “ideológica”, perde a guerra. É economia ilegal, puro caixa, puro poder.

No Nordeste, a tragédia da violência é também desigualdade. Quando dados apontam distorções raciais extremas, o Estado precisa reconhecer que segurança não é neutra: ela impacta mais fortemente grupos vulneráveis. Isso não é “pauta ideológica”; é diagnóstico de risco. Policiamento inteligente reduz homicídios sem ampliar letalidade. A meta deveria ser dupla: reduzir mortes e reduzir abusos, porque abuso alimenta recrutamento. Facção cresce quando Estado perde legitimidade no território.

O Sudeste mostra que o crime mudou de roupa. Em São Paulo, homicídio baixo convive com fraude alta. Roubo de celular virou porta para lavagem e estelionato, com exportação e redes de receptação. Aqui, o governo precisa de política nacional de cibercrime: integração policial, protocolos com bancos, rastreio de aparelhos, cooperação internacional e investigação de quadrilhas financeiras. Se o Estado ficar preso ao imaginário do “traficante armado”, perde o fraudador de terno e planilha.

O Rio expõe o dilema mais cruel: operações com alta letalidade podem produzir efeito imediato e também custo moral e político enorme. Se o objetivo é capturar líderes e o saldo é centenas de mortos, a sociedade tem direito de exigir avaliação: houve resultado, houve redução de domínio, houve descapitalização? Sem métricas, a operação vira teatro. Em ano eleitoral, risco de instrumentalização é alto. Segurança não pode ser marketing; marketing não diminui fuzil, só aumenta ressentimento.

A crítica de que “o governo dialoga mal e o povo não acredita” aponta um problema de comunicação estratégica. Segurança exige confiança. Se o governo fala uma coisa e faz outra, ou se muda tom conforme a semana, o cidadão conclui que é improviso. Improviso é convite ao crime. A solução é alinhar discurso com entrega: metas trimestrais, dados abertos, indicadores por região, e transparência sobre o que funciona e o que falha. A honestidade institucional é mais eficaz do que bravata.

A frase popular do “malandro e otário” é dura, mas serve como alerta: quando o Estado não protege, o eleitor tende a votar por raiva, não por evidência. E voto por raiva costuma produzir governos que prometem muito e entregam pouco. O desafio do governo Lula, portanto, é simples de formular e difícil de executar: provar que não está correndo atrás do tema por cálculo eleitoral, e sim por estratégia de Estado. Sem isso, a urna vira julgamento.

No fim, a prioridade correta é “cuidar da casa” com políticas públicas que gerem prosperidade e segurança juntas. Transferência de renda pode proteger, mas não substitui emprego, educação técnica, infraestrutura e ambiente de negócios. Segurança pública é parte disso: sem segurança, não há investimento; sem investimento, não há trabalho; sem trabalho, há recrutamento. O governo precisa parar de tratar segurança como pauta episódica e assumir como projeto permanente, acima de partidos. A eleição passa; a facção fica, se o Estado falhar.

Por Pr. Rilson Mota

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