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Irã em três atos: silêncio, cortina de fumaça e a fase letal — por que esta semana pode decidir o rumo dos protestos

Rilson Mota por Rilson Mota
14 de janeiro de 2026
em Política
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Irã em três atos: silêncio, cortina de fumaça e a fase letal — por que esta semana pode decidir o rumo dos protestos

Um veículo pega fogo durante protestos em Teerã, Irã, em 8 de janeiro de 2026. ( Crédito da foto : Khoshiran / Middle East Images / AFP via Getty Images )

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Teerã , 14 de janeiro de 2026

Desde o início dos protestos no fim de dezembro, o regime iraniano vem alternando estratégias de contenção que seguem um padrão recorrente: primeiro minimizar, depois desviar o foco e, por fim, aplicar violência em escala. O objetivo é ganhar tempo e controlar narrativa. A sequência, descrita por analistas, não depende de improviso: ela opera como método político, acionado quando a dissidência cresce e ameaça a estabilidade interna.

No primeiro estágio, a resposta foi a tentativa de ignorar. A aposta é simples: protestos perdem fôlego quando não encontram reconhecimento, quando faltam imagens e quando a sensação de impotência aumenta. Ao negar relevância, o Estado tenta reduzir o “efeito contágio”. Porém, quando a mobilização não se dispersa, a omissão deixa de ser neutra e vira fraqueza. E, em regimes de segurança, fraqueza é o gatilho para endurecimento.

Com a persistência da rua, o segundo estágio entra em cena: a distração. A política externa vira vitrine, enquanto a crise interna é rebaixada a “ruído”. Reuniões regionais e agendas diplomáticas funcionam como cortina de fumaça para deslocar manchetes. O regime busca transmitir continuidade e normalidade institucional: como se governasse intacto, como se o país não estivesse fervendo. Essa estratégia tenta dividir atenção do público interno e também desgastar a cobertura internacional.

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Quando nem a indiferença nem a distração funcionam, chega o estágio mais brutal: repressão física e punitiva. A violência em massa, segundo a análise, é usada para quebrar redes de mobilização por medo, por luto e por encarceramento. Em termos de controle social, a lógica é: prender muitos, isolar líderes, cortar comunicação e elevar o custo individual de ir à rua. O Estado não precisa eliminar a dissidência; precisa torná-la arriscada demais para ser sustentável.

Esse padrão não é “novo”, e isso é o que assusta. O regime sobreviveu a ondas anteriores justamente por não ser monolítico e por conseguir alternar flexibilidade tática com rigidez repressiva. A sobrevivência política, nesse modelo, depende de reconhecer limites: o governo sabe que há descontentamento amplo e sabe que não controla cada rua, cada bairro e cada periferia. Por isso, ele escolhe onde e quando bater com mais força.

A análise também chama atenção para as fragilidades territoriais do Estado iraniano, sobretudo em áreas periféricas e de minorias. Regiões balúchis no sudeste e áreas com curdos, árabes e azeris no oeste são citadas como pontos de tensão. Em muitos países, periferias funcionam como “termômetros” de crise: quando o Estado perde capilaridade, surgem zonas onde a repressão é mais intensa ou, ao contrário, onde a contestação se sustenta por redes comunitárias.

Uma característica desse método, segundo analistas, é permitir que protestos aconteçam por dias ou semanas e, depois, desencadear uma fase letal. A espera funciona como mapeamento: identificar rotas, nomes, locais e padrões. A repressão, então, não é apenas reativa; é planejada. Ao mesmo tempo, a demora ajuda a reduzir atenção internacional, porque a rotina das notícias migra. É quando o Estado se sente mais confortável para agir sem holofote.

Neste ciclo específico, porém, o regime estaria sob pressão adicional por eventos recentes. A análise aponta que o Irã foi enfraquecido pela chamada Guerra dos Doze Dias no verão de 2025, com perdas alegadas de parte do programa nuclear e da capacidade de mísseis balísticos. Mesmo que detalhes exatos variem e exijam checagem, o ponto central é psicológico: um Estado que precisa provar força, quando se sente fragilizado, tende a compensar internamente com demonstrações de dureza.

A tentativa de “parecer imperturbável” também é uma ferramenta de controle. O regime busca mostrar que não muda, não negocia e não vacila. Essa estética do poder — a imagem do “inalterável” — serve para desmobilizar. Se as pessoas acreditam que nada muda, desistem. Se acreditam que o Estado está abalado, persistem. Por isso, a propaganda institucional e o controle de informação caminham junto com a repressão: é um pacote, não ações isoladas.

O texto analítico também descreve um cálculo geopolítico envolvendo os Estados Unidos. O presidente Donald Trump demonstrou apoio aos manifestantes e alertou o Irã contra matar pessoas, prometendo “medidas enérgicas”. A leitura de Teerã, segundo a análise, seria de que essas declarações são blefe. A aposta: sem imagens, sem internet e sem evidência pública em tempo real, os EUA teriam dificuldade de justificar ação. Até aqui, o regime avalia que a tese se sustenta.

O corte de internet entra como peça-chave desse cálculo. Ao mergulhar o país no escuro digital, o regime reduz a circulação de vídeos, dificulta checagem, enfraquece coordenação e limita a capacidade de pressão externa. Sem prova visual, a indignação internacional perde combustível. Isso não significa que não haja violência; significa que ela se torna menos visível. Para um Estado que teme sanções adicionais ou ação indireta, invisibilidade é proteção estratégica.

A análise sustenta que o Irã aposta no tempo: quando uma reação externa vier, se vier, os protestos já terão terminado e o custo humano já terá sido pago. É uma lógica de “janela de repressão”: agir rápido, oculto e massivo, e depois normalizar. Quando a conectividade retorna, o país já está sob controle, e o mundo debate o passado, não interrompe o presente. Essa dinâmica é cruel porque transforma vidas em variável de cálculo de política externa.

Em paralelo ao controle interno, o regime se movimenta para reduzir risco de intervenção estrangeira. O texto menciona contatos diplomáticos em que o Irã condena interferência em assuntos internos. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, teria conversado com o chanceler francês Jean-Noël Barrot para reforçar essa posição. O objetivo é desenhar uma barreira diplomática: “não se metam”, enquanto o Estado resolve a crise dentro de casa.

Além de França, a análise sugere que o Irã busca contato com países do Golfo, possivelmente para discutir mediação e, ao mesmo tempo, para criar um cordão regional de contenção contra qualquer iniciativa americana. Países do Golfo têm influência como aliados próximos dos EUA e podem atuar como canal de recado. Em crises, diplomacia funciona como amortecedor: não para resolver as causas, mas para reduzir escalada externa enquanto o governo reprime internamente.

O regime também aciona a carta clássica da “desestabilização”: se enfraquecerem Teerã, a instabilidade se espalha pela região, afetando vizinhos e rotas econômicas. Essa retórica é eficaz porque mobiliza medo de guerra, migração e efeitos no petróleo. Ao apresentar a própria continuidade como sinônimo de estabilidade regional, o regime tenta tornar-se “mal necessário” aos olhos de países pragmáticos, mesmo diante de denúncias internas.

Nesse tabuleiro, Turquia, Paquistão, Catar e Arábia Saudita aparecem como atores preocupados com qualquer ação americana contra o Irã. A preocupação não é altruísmo; é cálculo. Uma escalada pode gerar efeitos em fronteiras, comércio, segurança interna e energia. Como são parceiros relevantes de Washington, a posição deles pode influenciar o grau e o tipo de reação americana. A crise doméstica iraniana, portanto, vira problema regional por efeitos de transbordamento.

É por isso que esta semana é tratada como crucial: protestos, repressão, apagão informacional e diplomacia regional convergem ao mesmo tempo. O regime tenta sobreviver ao desafio combinando força e narrativa, enquanto opositores tentam manter mobilização com comunicação degradada. Ao mesmo tempo, potências externas calculam custo de agir versus custo de não agir. Quando essas três camadas se alinham — rua, Estado e geopolítica — o risco de escalada aumenta.

Para o jornalismo, o desafio é não transformar análise em sentença. Muitos elementos dependem de confirmação independente, e o ambiente de censura limita checagem. Ainda assim, padrões históricos e decisões observáveis — como corte de internet, discursos de “terrorismo” e priorização de punição — permitem inferir método. A tarefa é dizer “o que se vê”, “o que se alega” e “o que se sabe”, sem amplificar propaganda de qualquer lado.

O que está em disputa não é apenas a continuidade do governo, mas o custo humano e político do método escolhido. Ignorar, distrair e depois esmagar pode funcionar como técnica de sobrevivência, mas cobra preço alto: trauma coletivo, radicalização e perda de legitimidade. Mesmo que o regime controle as ruas, ele pode perder a confiança. E quando um Estado governa só por medo, cada novo protesto tende a ser maior, mais difícil e mais imprevisível.

Se esta semana decide o rumo, o fator determinante será a combinação entre intensidade da repressão e capacidade de manter o apagão informacional. Se o Estado conseguir reduzir visibilidade, ele amplia liberdade de ação. Se a informação furar o bloqueio, a pressão externa cresce e o custo do massacre sobe. O regime aposta na invisibilidade. Os manifestantes apostam na persistência. E o mundo, como sempre, decide entre olhar ou virar o rosto.

Créditos: Reportagem extraída do Jornal Jerusalem Post, em Israel. (usado de acordo com a Cláusula 27a da Lei de Direitos Autorais).


Comentário exclusivo

O padrão “ignorar, distrair, matar” não é apenas uma sequência de decisões; é uma arquitetura de poder. Ignorar reduz legitimidade do protesto; distrair tenta sequestrar atenção; matar busca recalibrar o custo individual da dissidência. É gestão de risco pela violência. O que a análise descreve é uma máquina que se alimenta de tempo: primeiro deixa a rua se expor, depois corta comunicação, e então reprime quando a sociedade já está cansada e o mundo já está saturado de notícia.

O componente mais sofisticado dessa estratégia não é o cassetete, é o apagão. A internet desligada funciona como “arma de invisibilidade”. Sem vídeo, sem live, sem registro instantâneo, a violência perde testemunha global. Isso não reduz o sofrimento, apenas reduz prova. E sem prova, governos estrangeiros ganham desculpa para não agir, ou para agir menos. Em termos de direitos humanos, conectividade virou proteção indireta. Quando ela some, o Estado ganha liberdade e o cidadão perde escudo.

Há um erro comum na leitura externa: imaginar que regime autoritário desaba sob pressão contínua. Muitos não desabam; eles se adaptam. A sobrevivência do regime iraniano, como aponta a análise, está na capacidade de reconhecer limites e modular resposta. Ele não controla tudo, então escolhe onde concentrar força. Ele sabe que muitos não gostam dele, então governa por dissuasão. Essa racionalidade é fria, mas eficiente. E é por isso que ela precisa ser enfrentada com método, não com indignação solta.

A carta da “desestabilização regional” é um truque velho, porém funcional. Ao dizer “se eu cair, a região pega fogo”, o regime tenta transformar sua permanência em interesse dos vizinhos e de potências. O problema é que essa lógica cria chantagem estrutural: o Estado se torna refém de sua própria violência, porque precisa provar força para sustentar a ameaça implícita. Quando a estabilidade depende de repressão, a estabilidade é falsa. Ela dura até o próximo estopim — e o próximo estopim sempre chega.

O cálculo sobre os EUA também revela um ponto incômodo: retórica sem capacidade de execução vira incentivo para o agressor. Quando Teerã avalia que Washington não agirá sem imagens, o regime investe em apagar imagens. É lógico. Por isso, a política externa séria não pode viver de frases. Se há “medidas enérgicas”, elas precisam ter trilha: sanções direcionadas, isolamento de responsáveis, apoio a documentação de crimes e proteção a refugiados. Caso contrário, a frase vira ruído que aumenta risco para quem protesta.

E aqui está o dilema moral: o apoio externo pode salvar vidas ou pode aumentar a letalidade, dependendo de como é comunicado. Um líder estrangeiro dizendo “continuem protestando” sem oferecer proteção concreta pode, involuntariamente, empurrar pessoas para a linha de tiro. Ao mesmo tempo, o silêncio externo pode ser lido como abandono. A saída é precisão: apoiar direitos, exigir devido processo, proteger canais de informação e agir com coalizões multilaterais. Menos espetáculo, mais capacidade real.

O discurso de “terrorismo” e “guerra interna” é a parte jurídica da violência. Ele não serve apenas para justificar ações; ele serve para moldar a máquina estatal a punir mais rápido. Quando o Estado muda o rótulo, ele muda o procedimento: acelera julgamento, reduz contraditório e amplia pena. É por isso que o foco do jornalismo, quando fala de execução, precisa ser processual: houve advogado? houve recurso? houve publicidade? Sem processo, qualquer condenação vira ferramenta política. E ferramenta política mata.

A análise também sugere um regime enfraquecido por eventos militares recentes tentando compensar internamente. Isso é padrão psicológico de poder: quando a imagem externa sofre, a repressão interna aumenta para reafirmar controle. O cidadão vira palco para performance do Estado. É o pior tipo de governança: usar a população como mensagem. O risco é que isso gera radicalização. Repressão pode encerrar protesto hoje, mas produz sementes para amanhã. O trauma vira narrativa familiar, e a narrativa familiar vira resistência de longo prazo.

Para quem acompanha segurança e conflito, a semana “crucial” não é só sobre protesto; é sobre janela de decisão internacional. Se países do Golfo e aliados dos EUA se moverem para conter ação, o regime iraniano ganha tempo. Se houver ruptura de consenso e pressão coordenada por meios verificáveis, o custo da repressão aumenta. O ponto é: o Estado iraniano aposta na divisão externa. E divisão externa é a melhor aliada de regimes que operam com apagão e violência.

No fim, a pergunta que importa não é se o regime “aguenta” mais uma onda. Provavelmente aguenta, como já aguentou. A pergunta é qual será o custo humano para isso e quantas vidas serão gastas para manter uma narrativa de invulnerabilidade. Quando um Estado precisa matar para parecer forte, ele já confessou sua fragilidade moral. E quando a comunidade internacional aceita o apagão como normal, ela vira cúmplice por omissão. O jornalismo, nesse cenário, é uma forma de romper o escuro.

Por Pr. Rilson Mota

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