Madrid , 13 de janeiro de 2026
O Real Madrid comunicou nesta segunda-feira (12) o fim do vínculo com Xabi Alonso, decisão descrita como tomada em comum acordo. A mudança ocorre um dia depois do vice na Supercopa da Espanha, perdida para o Barcelona por 3 a 2, e encerra um ciclo curto, de cerca de oito meses. Para o comando, o clube promove Álvaro Arbeloa, que dirigia o Real Madrid Castilla, a equipe B.
Xabi havia sido anunciado no fim de maio como substituto de Carlo Ancelotti, que deixou o clube rumo à seleção brasileira. A troca, à época, foi lida como transição de estilo: do pragmatismo experiente para um treinador identificado com controle e organização posicional. O período, porém, terminou com pressão competitiva crescente e com ruído interno, num momento em que o Real precisa reduzir distância para o Barça no Campeonato Espanhol.
No recorte esportivo, o vice na Supercopa pesou pela forma. Uma final com cinco gols expõe não só eficiência ofensiva, mas também vulnerabilidades de estrutura defensiva, sobretudo na recomposição e no controle de segunda bola. Em clubes desse porte, derrotas para o rival direto têm efeito ampliado: influenciam vestiário, mídia e paciência da diretoria. A avaliação interna tende a medir não apenas resultado, mas sinais de tendência e capacidade de correção rápida.
O cenário de LaLiga adiciona urgência. O Real aparece como vice-líder, quatro pontos atrás do Barcelona, o que obriga a equipe a buscar sequência de vitórias e reduzir margem de erro. A troca para Arbeloa sugere aposta em discurso de clube e em continuidade de princípios já trabalhados na base merengue, onde há ênfase em intensidade, comportamento sem bola e alinhamento institucional. É uma resposta típica de clubes que priorizam identidade e controle do ambiente.
A passagem de Xabi termina também sob polêmicas envolvendo Vinicius Jr e Rodrygo, dois pilares brasileiros do ataque. Embora o comunicado oficial não detalhe episódios, o noticiário esportivo frequentemente associa crises técnicas a ruídos de gestão de elenco, comunicação e expectativas de protagonismo. Em um vestiário com estrelas, qualquer sinal de desalinhamento vira fator de desempenho: afeta tomada de decisão, engajamento defensivo e a execução coletiva em jogos grandes.
O clube divulgou nota destacando respeito ao ex-técnico, chamando-o de “lenda” e afirmando que ele personifica valores do Real Madrid. Esse tom público, mesmo em ruptura rápida, é parte do gerenciamento de reputação: preserva imagem do treinador, reduz desgaste institucional e evita que a narrativa de crise se agrave. Ao mesmo tempo, a promoção de Arbeloa é mensagem interna de disciplina e alinhamento com a cultura do clube.
Com a mudança, o Real entra em fase de ajuste imediato: retomar confiança pós-derrota, estabilizar desempenho defensivo e acelerar produção ofensiva sem expor transições. O novo treinador terá pouco tempo para imprimir marca, e a prioridade costuma ser simples: corrigir comportamentos-chave, definir hierarquias e proteger o ambiente. Em temporada com perseguição ao rival e cobranças altas, a gestão de elenco será tão decisiva quanto o modelo tático dentro de campo.
Comentário exclusivo
As polêmicas envolvendo Vinicius Jr e Rodrygo, quando ganham volume, têm um custo que vai além do vestiário: elas “importam” para a instituição. No Real Madrid, a régua é brutal: qualquer ruído vira argumento para mudança de comando e para rediscutir papel de atleta. O jogador brasileiro, muitas vezes, é julgado com lupa dupla: pelo futebol e pela narrativa. Isso não é justo, mas é real e afeta carreira, contratos e até convocação.
Em campo, polêmica costuma virar queda de eficiência coletiva. Quando o atacante perde foco ou entra em disputa simbólica por protagonismo, o time reduz pressão pós-perda, sofre na recomposição e passa a defender com menos gente. Em final contra rival, isso aparece em detalhes: cobertura tardia, disputa de segunda bola e faltas desnecessárias. A consequência é clara: derrota gera caça a culpados, e o mais exposto vira o rosto da crise, mesmo quando o problema é estrutural.
Fora do campo, o impacto é financeiro e reputacional. Polêmica recorrente pode ativar cláusulas comportamentais, endurecer negociações, reduzir margem de tolerância da diretoria e influenciar percepção de patrocinadores. Em um clube global, a imagem do atleta é ativo. Se o atleta vira risco de comunicação, perde poder interno. A saída de Xabi após um vice não prova relação direta, mas mostra como o Real “zera o jogo” rápido quando sente o ambiente instável.
Para os brasileiros, o recado é duro: excelência técnica não basta; gestão de imagem e maturidade competitiva viraram parte do trabalho. Isso inclui escolher batalhas, manter disciplina emocional em jogos grandes e blindar vida pública. Quando a crise explode, a troca de treinador é a solução mais rápida para o clube, mas não resolve a vulnerabilidade do jogador à narrativa. Quem não aprende a jogar também fora do campo vira refém do ciclo de pressão.
O desafio de Arbeloa será reconstruir confiança sem criar “ilhas” no elenco. Se o clube quer perseguir o Barça, precisa de Vinicius e Rodrygo no máximo, conectados ao plano coletivo e protegidos de ruídos. A pacificação interna é técnica: clareza de funções, cobrança igual para todos e proteção institucional quando houver injustiça externa. Sem isso, a polêmica vira constante e o desempenho cai. E em Madrid, desempenho baixo não ganha tempo: ele perde projetos.
Por Pr. Rilson Mota
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