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Mirassol dá aula no Maião e coloca o São Paulo na roda na largada do Paulistão

Rilson Mota por Rilson Mota
12 de janeiro de 2026
em Brasil, Esportes, Futebol
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Mirassol dá aula no Maião e coloca o São Paulo na roda na largada do Paulistão
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Guarapuava, 12 de janeiro de 2026

Mirassol abriu 2026 como terminou 2025: competitivo, intenso e pragmático. No fechamento da rodada inaugural do Paulistão, no Maião, o time do interior superou o São Paulo por 3 a 0 e transformou a estreia em recado ao grupo. A vitória teve roteiro claro: pressão alta nos minutos iniciais, ataques rápidos pelos corredores e aproveitamento de segundas bolas na área com disciplina defensiva e leitura madura dos espaços entrelinhas sempre.

O primeiro golpe saiu aos seis minutos e nasceu de combinação central. Shaylon finalizou, a bola beijou a trave, e Lucas Mugni atacou a sobra com tempo e equilíbrio corporal, finalizando antes da recomposição. O lance evidenciou um ponto de preparação: presença de segunda linha dentro da área e coordenação para atacar rebotes. Para um jogo de estreia, a execução foi limpa, sem excesso de toques e com decisão imediata.

Com vantagem cedo, o Mirassol não recuou em bloco baixo; alternou pressão e contenção para induzir erro na saída rival. Aos 19, Alesson arriscou de média distância, a finalização desviou em Alan Franco e enganou Rafael, ampliando para 2 a 0. O desvio faz parte do acaso do futebol, mas o chute foi consequência de cenário criado: linha de passe fechada, recuperação e transição curta até a meia-lua com controle emocional.

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O São Paulo teve mais posse, porém pouca progressão qualificada. A equipe girou a bola longe do último terço e encontrou dificuldade para receber entre linhas, porque o Mirassol compactou por dentro e protegeu o corredor central. Quando o Tricolor buscou amplitude, faltou profundidade com ataques ao espaço às costas dos laterais. Sem diagonais agressivas, o time ficou previsível e permitiu que o adversário administrasse o ritmo sem conceder finalizações.

No intervalo e no início da etapa final, o São Paulo buscou mudar dinâmica com Lucas Moura, recuperado de lesão no joelho, e com Danielzinho, contratado para 2026 e ex-capitão do próprio Mirassol. A ideia era ganhar condução e passe vertical para acelerar. O volume ofensivo até cresceu, mas sem precisão na última ação, seja no cruzamento, seja no chute. O Mirassol manteve controle territorial e bloqueios bem sincronizados sempre.

A reta final aumentou o desgaste tricolor. O lateral Maik recebeu expulsão e deixou o São Paulo com menos capacidade de cobertura no lado. Pouco depois, aos 43, Daniel Borges cruzou, Rafael rebateu para o centro e José Aldo concluiu para o gol, fechando 3 a 0. O lance sintetizou a noite: bola alçada, presença na área e reação rápida na segunda bola. Para o Mirassol, vitória com assinatura coletiva.

Rotulado como sensação em 2025, o Mirassol busca transformar surpresa em padrão. Com dez reforços para 2026, o time mostrou encaixe imediato, sobretudo no meio-campo. Mugni acrescentou leitura de rebote e timing de área; Shaylon deu ritmo às transições. O plano alternou pressão e recomposição sem abrir o corredor central. Em estadual de margem pequena, vencer um candidato ao título na estreia muda confiança, tabela e narrativa externa desde já.

Na mesma noite, o Paulistão teve outros resultados que desenham equilíbrio cedo. Em Bauru, o Red Bull Bragantino venceu o Noroeste por 1 a 0, com Jhon Jhon decidindo no fim da etapa final. Em Rio Claro, Velo Clube e Botafogo-SP ficaram no 0 a 0, em jogo de poucas chances. A abertura reforça um traço do estadual: pontuar fora e minimizar erros defensivos costuma ser diferencial nas primeiras rodadas.

No Rio, o Campeonato Carioca começou com um retrato de calendário apertado. Flamengo e Portuguesa-RJ empataram por 1 a 1 em Volta Redonda, em jogo antecipado por causa da Supercopa marcada para 1º de fevereiro. Sem pré-temporada do elenco principal, o clube rubro-negro utilizou a equipe sub-20, o que alterou ritmo, maturidade de decisão e leitura de pressão. A Portuguesa aproveitou o cenário e competiu de igual para igual também.

A Portuguesa abriu o placar aos 12 minutos do segundo tempo, com Rhuan, explorando desorganização após perda no meio. O Flamengo respondeu com circulação paciente, mas teve dificuldade para transformar posse em profundidade, típico de equipe jovem contra bloco médio. Nos acréscimos, o zagueiro Iago empatou em bola parada. Para o sub-20, foi teste de caráter; para a Portuguesa, ficou o gosto amargo do controle perdido no fim da partida.

Em Minas, o Atlético-MG estreou no Estadual com 1 a 1 diante do Betim, na Arena MRV, em um time misto que ainda busca entrosamento. Reinier colocou o Galo à frente aos 21 do primeiro tempo, mas Diego Jardel empatou no minuto inicial da etapa final, punindo desatenção pós-intervalo. A ausência de Hulk, em impasse de renovação, reduziu presença de área e referência para atacar cruzamentos em jogadas de rebote.

No mesmo domingo, o América-MG largou melhor e venceu o Athletic por 3 a 0 na Arena Independência. Thauan e Éverton Brito, atacantes, e o meia Eduardo Person balançaram as redes e deram tranquilidade ao início de campanha. O placar elástico, em estadual, costuma ser valioso para critérios de desempate e confiança. Para o Athletic, a estreia expôs ajustes urgentes na linha defensiva e na marcação por dentro desde cedo.

No Beira-Rio, o Internacional começou o Gauchão com vitória por 2 a 1 sobre o Novo Hamburgo, usando formação mista, com jovens e atletas de pouca minutagem. O visitante saiu na frente com Allison, de bicicleta, aos sete do primeiro tempo, lance que mudou o roteiro. O Inter empatou em gol contra de João Marcus e virou com Diego Coser aos 40 do segundo tempo, premiando insistência até o fim.

A rodada do Gauchão teve ainda dois empates no domingo. Em Ijuí, São Luiz e Caxias ficaram no 1 a 1, com alternância e pouca posse sustentada. Em Porto Alegre, São José e Inter de Santa Maria terminaram 0 a 0, em duelo travado. Para equipes menores, pontuar fora é sobrevivência; para favoritos, tropeços cedo elevam cobrança por resultado e por evolução de jogo ao longo das semanas do campeonato.

No Paranaense, o Athletico-PR seguiu usando jovens e atletas de pouca minutagem, e empatou por 1 a 1 com o Cianorte no Albino Turbay. Bruno Dentinho marcou aos 15, e João Cruz igualou aos sete do segundo tempo. Dois gols do Furacão foram anulados, um em cada etapa, em torneio sem VAR na fase inicial, o que aumenta peso da arbitragem e do posicionamento em linha.

No Ceará, o Fortaleza estreou no Estadual sob comando de Thiago Carpini com empate sem gols diante do Ferroviário, no Presidente Vargas. O resultado deu ao Leão do Pici o primeiro ponto, enquanto o Ferrão chegou a quatro e manteve boa largada. O duelo teve perfil de pré-temporada: menos intensidade contínua e mais controle de risco, com linhas compactas e poucas infiltrações. Na sequência, o Ceará enfrenta o Maranguape quarta-feira.

Comentário exclusivo

O 3 a 0 do Mirassol não é apenas placar de estreia; é demonstração de processo. O time venceu porque controlou o centro sem abdicar de agredir, algo raro em equipes médias que costumam escolher um único modo. A pressão inicial foi coordenada, com gatilhos claros na saída curta do São Paulo, e o bloco fechou linhas de passe. Quando a bola sobrou, havia gente atacando o rebote com convicção.

O São Paulo exibiu um problema recorrente de início de temporada: posse sem ameaça. Ter a bola não basta quando o adversário protege o corredor central e oferece o lado como isca. Faltou superioridade numérica nos meio-espaços, faltou profundidade para atacar a última linha e sobrou cruzamento previsível. A entrada de Lucas Moura aumentou a velocidade, mas não corrigiu a falta de ocupação de área, que definiu os lances decisivos.

A escolha do Mirassol por reforços funcionais, e não apenas midiáticos, aparece no desempenho de Mugni. Ele não foi contratado para ser protagonista isolado, mas para melhorar micro-decisões: atacar sobra, ajustar corpo, acelerar sem precipitar. Em estaduais, esse tipo de detalhe decide jogo. O gol aos seis minutos empurrou o São Paulo para um plano arriscado, e o Mirassol soube explorar o espaço que se abriu. É resultado de scouting.

O placar reforça um argumento de calendário: quem entra pronto, larga na frente. O São Paulo ainda busca encaixes e gestão de minutos, enquanto o Mirassol já exibiu padrão coletivo. No Paulistão, a fase de grupos cobra ajuste rápido, porque tropeços viram pressão. Para grandes, o estadual é laboratório; para médios, vitrine e ponto. Quando o laboratório produz derrota pesada, a política interna muda e o trabalho perde serenidade cedo.

O empate do sub-20 do Flamengo com a Portuguesa-RJ expõe um dilema dos estaduais: preparação versus competição. Sem elenco principal, o clube aceita risco esportivo e transfere protagonismo a atletas em formação. O adversário, completo e motivado, explora maturidade e bola parada. Para o torcedor, o perigo é avaliar ‘crise’ em cima de contexto. Ainda assim, empatar nos acréscimos mostra resiliência e indica que a base já entrega fundamentos decisivos.

O 1 a 1 do Atlético-MG com o Betim lembra que estaduais punem escolhas de pré-temporada. Time misto significa menor automatismo, sobretudo na transição defensiva pós-intervalo, exatamente onde saiu o empate. A ausência de Hulk, em discussão contratual, reduz referência de área e exige mais gente chegando de trás. Quando isso não acontece, a posse fica estéril e o adversário respira. O problema é entrosamento e função para o elenco.

O Paranaense sem VAR na primeira fase amplia a responsabilidade de quem ataca e de quem apita. No empate entre Athletico e Cianorte, com gols anulados, o efeito é imediato: cada lance ajustado na linha muda a narrativa do jogo. Em elenco jovem, a insegurança cresce e o plano pode ficar ansioso. A saída é operacional: atacar com ocupação correta, manter linha de passe limpa e finalizar com melhor ângulo.

Esse domingo de estaduais mostrou o futebol brasileiro em camadas: clubes grandes ainda montando minutagem, clubes médios buscando impacto imediato e jovens ganhando vitrine. A leitura técnica é que janeiro premia organização e castiga improviso, porque os gramados e o condicionamento reduzem o repertório ofensivo. Por isso, bolas paradas, segundas bolas e transições curtas aparecem como padrões repetidos. Mirassol, Inter e Flamengo sub-20, cada um a seu modo, colheram resultados.

Por Pr. Rilson Mota

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