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Brasil fica: a lista de organismos deixados pelos EUA expõe o custo — e o sentido — de permanecer

Rilson Mota por Rilson Mota
9 de janeiro de 2026
em Brasil, Política
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Geopolítica e Soberania: O Governo Brasileiro e as Perspectivas de Interferência Externa em 2026

Foto: Marcelo Camargo / EBC

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Guarapuava, 09 de janeiro de 2026

O Brasil mantém algum tipo de vínculo com 34 das 66 organizações internacionais das quais os Estados Unidos decidiram se retirar por determinação do presidente Donald Trump, conforme anúncio feito na quarta-feira (7). O levantamento inclui organismos vinculados ao sistema das Nações Unidas e entidades independentes, com atuação em temas sensíveis como democracia, comércio, direitos humanos e meio ambiente. A decisão americana reposiciona o tabuleiro e impõe ao Brasil uma revisão de custo-benefício institucional.

Do total de 34 entidades nas quais o Brasil tem participação, 19 não pertencem ao sistema ONU e 15 integram a estrutura das Nações Unidas. Essa presença não é uniforme: em alguns casos o país aparece como Estado-membro; em outros, como parceiro de cooperação técnica, receptor de financiamento ou participante de iniciativas temáticas. Na prática, o nível de comprometimento varia entre contribuição formal, adesão política e acesso a programas, redes e assistência especializada.

Entre os organismos citados como relevantes está o Instituto Internacional para a Democracia e a Assistência Eleitoral (IDEA Internacional), do qual o Brasil é membro. A entidade atuou como observadora nas eleições brasileiras de 2022 e, segundo a descrição do levantamento, atestou a regularidade do sistema eleitoral. Em termos diplomáticos, esse tipo de participação é usado para reforçar legitimidade, ampliar transparência e reduzir dúvidas externas sobre processos de governança, especialmente em ambientes polarizados.

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Outro exemplo é o Fundo da ONU para a Democracia (UNDEF), mencionado como financiador de projetos no Brasil desde 2007. O volume citado é de aproximadamente US$ 1,9 milhão, aplicado em iniciativas relacionadas a governança climática, direitos humanos, participação cidadã e fortalecimento democrático. Para o país, esse tipo de canal costuma ser apresentado como mecanismo de cooperação de baixo custo relativo, com impacto localizado e foco em políticas públicas e sociedade civil.

A lista inclui também organismos com interface direta com o ambiente econômico, como o Centro de Comércio Internacional (ITC), além de estruturas voltadas a ciência e regulação socioambiental, como a Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES). Do ponto de vista do Estado, esses fóruns podem oferecer métricas, padronização e capacidade técnica. Do ponto de vista do setor produtivo, podem significar exigências adicionais, relatórios e conformidades que afetam custos.

Há ainda menção à Comissão de Veneza do Conselho da Europa, referência conhecida por orientar padrões legais e institucionais em temas constitucionais e de Estado de Direito. A participação ou cooperação com esse tipo de instância tende a ser interpretada como busca por boas práticas regulatórias. Ao mesmo tempo, críticos internos frequentemente questionam se recomendações externas geram adequação real ao contexto brasileiro ou se importam modelos jurídicos que aumentam burocracia e litigiosidade.

A saída dos Estados Unidos de um conjunto amplo de organizações altera o equilíbrio de influência e financiamento desses espaços. Quando uma potência reduz presença, os organismos podem perder recursos, protagonismo e, em alguns casos, capacidade operacional. Por outro lado, abre-se espaço para outros atores preencherem lacunas, definirem agendas e ampliarem sua voz. Para o Brasil, isso cria uma escolha: manter a presença como forma de projetar influência ou revisar participação para evitar custos e amarras.

Um efeito imediato é a recalibração das relações bilaterais: decisões americanas não obrigam o Brasil a seguir o mesmo caminho, mas mudam o ambiente de negociação em comércio, direitos humanos, clima e governança. O país pode enfrentar maior pressão para explicar por que permanece em determinados fóruns e, simultaneamente, maior demanda de aliados para assumir posições e contribuições. Essa equação é política e orçamentária: ficar pode custar mais; sair pode custar reputação e acesso.

Do ponto de vista jurídico-institucional, permanecer em organismos internacionais frequentemente implica aderir a padrões, relatórios e compromissos que podem ser usados em disputas internas. Em políticas de meio ambiente e direitos humanos, por exemplo, recomendações técnicas acabam citadas em processos, acordos e decisões administrativas. Para governos, isso pode ser ferramenta de política pública; para setores regulados, pode ser fonte de insegurança se regras mudam por pressão externa sem transição adequada.

No campo econômico, a crítica recorrente é que parte desses fóruns transforma preferências políticas em barreiras indiretas ao investimento. Em cadeias exportadoras, padrões ambientais e de rastreabilidade podem ser defendidos como competitividade de longo prazo, mas também podem gerar custo imediato e perda de margem. O ponto central, para o Brasil, é distinguir organismos que aumentam acesso a mercados e previsibilidade daqueles que criam obrigações sem retorno proporcional para emprego, produtividade e crescimento.

A manutenção de vínculos também tem dimensão fiscal e gerencial. Cada participação demanda equipe, contribuição, reuniões, relatórios e coordenação entre ministérios. Em um Estado com capacidade limitada, excesso de compromissos pode reduzir foco em reformas domésticas essenciais. Ao mesmo tempo, abandonar espaços estratégicos pode diminuir a capacidade de influenciar normas internacionais que afetam o Brasil de qualquer forma, especialmente em comércio, sustentabilidade e fluxos financeiros.

Em democracia e governança, o dilema é semelhante: observadores e fundos podem fortalecer práticas, mas também podem ser vistos como ingerência quando o debate interno está tensionado. A sustentabilidade desses arranjos depende de transparência e de métricas claras de benefício. Sem isso, a política externa vira palco de simbolismos: aderir para sinalizar virtude, ou sair para sinalizar soberania, sem avaliação rigorosa de impacto econômico e institucional.

A decisão americana, ao atingir organismos ligados a democracia, comércio, direitos humanos e meio ambiente, coloca o Brasil diante de uma pergunta operacional: quais vínculos são estratégicos, quais são redundantes e quais geram custos superiores aos ganhos. A resposta não é ideológica; é técnica. Exige mapear contribuições, benefícios, obrigações e riscos regulatórios, além de alinhar a política externa ao plano de crescimento, segurança jurídica e atração de investimentos.

No curto prazo, a tendência é que o tema ganhe peso no debate político interno, pois envolve leitura de alinhamentos internacionais e prioridades de governo. A médio prazo, o impacto dependerá de como esses organismos se reposicionarão sem os Estados Unidos e de como o Brasil definirá sua estratégia. Permanecer em 34 entidades onde os EUA saem pode ser oportunidade de influência — ou custo crescente — dependendo do retorno real ao desenvolvimento nacional.


Comentário crítico e exclusivo

A pergunta que o Brasil precisa fazer, com frieza, é simples: quanto custa ficar e quanto rende permanecer. Em diplomacia, permanência vira hábito, e hábito vira despesa. Muitos organismos produzem relatórios, recomendações e “padrões” que não chegam ao cidadão como renda, emprego ou infraestrutura. Se o país mantém vínculos por inércia, paga duas vezes: em contribuição direta e em custo regulatório indireto. Estratégia séria exige auditoria de resultados, não fé institucional.

Há organismos que agregam valor real — por abrir mercado, reduzir atrito comercial ou qualificar governança —, mas também há instâncias que viram máquina de compliance que não melhora produtividade. Para um país ainda travado por burocracia e baixa eficiência estatal, adicionar camadas internacionais pode significar mais formulários, mais litigância e menos execução. O debate não é “ser contra o multilateralismo”; é separar multilateralismo útil do multilateralismo ornamental, que consome energia e entrega pouca transformação econômica.

O governo Lula, ao adotar postura de oposição direta ao governo americano em várias pautas, precisa considerar o risco de transformar a política externa em palco de sinalização ideológica. O investidor não olha discurso; ele olha previsibilidade, acesso a mercados e alinhamento com centros de capital. Se Brasília escolhe atrito permanente com Washington, o custo pode aparecer em cadeias de exportação, tecnologia e financiamento. A política externa deveria proteger crescimento e estabilidade, não ampliar incerteza por antagonismo automático.

A crítica aqui não é aos Estados Unidos decidirem sair; é ao Brasil permanecer sem exigir reciprocidade de benefícios. Se o país fica em organizações das quais a maior economia do mundo se retira, precisa justificar com ganhos mensuráveis: redução de barreiras, financiamento relevante, transferência tecnológica ou poder normativo favorável. Caso contrário, a permanência vira postura de “boa conduta” internacional que não paga contas internas. Multilateralismo sem pragmatismo é luxo para país rico, não para país que ainda precisa crescer mais.

O exemplo da ONU, citado no debate público, expõe um incômodo: há percepção de que parte do sistema internacional repreende Israel com frequência e, ao mesmo tempo, convive com ditaduras sem o mesmo rigor. Mesmo que essa avaliação varie conforme o observador, ela impacta legitimidade. Quando fóruns parecem seletivos, países-membros precisam avaliar se estão financiando coerência institucional ou teatro geopolítico. Para o Brasil, insistir em espaços percebidos como assimétricos exige estratégia, não adesão automática.

Há um custo invisível ainda mais grave: normas internacionais viram munição doméstica. Regras e recomendações são internalizadas por órgãos, promotores, reguladores e tribunais, aumentando incerteza jurídica quando não há transição clara. Empresas passam a operar com medo de mudança de interpretação, e projetos perdem ritmo. Um país que precisa acelerar investimento não pode importar instabilidade regulatória por osmose. Permanecer em fóruns que empurram obrigações sem calibragem local é, na prática, criar trava ao crescimento.

Se o Brasil quer ser respeitado, deve negociar como adulto: permanecer onde o retorno é claro e sair — ou rebaixar participação — onde o custo é maior que o benefício. Isso exige coragem política, porque romper com “clubes” internacionais gera ruído. Mas continuar por medo de ruído é pior: vira dependência de reputação. O que constrói reputação sólida é resultado: crescimento, redução de pobreza, estabilidade institucional. Organismos são meios, não fins. E meios ruins devem ser trocados.

No fim, a questão é: o Brasil quer governança para produzir prosperidade ou governança para produzir discurso. Em um cenário de competição global, a política externa precisa ser ferramenta de desenvolvimento, não vitrine. Se o governo se coloca em oposição estrutural aos EUA e, simultaneamente, se ancora em organismos que podem emperrar produtividade, o país corre o risco de ficar preso ao simbolismo e perder o jogo real: investimento, inovação, indústria e empregos formais. Isso é o que deveria guiar a decisão.

Por Pr. Rilson Mota

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