Guarapuava, 09 de janeiro de 2026
A duplicação e restauração em concreto da PRC-466 entre o distrito de Palmeirinha e Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná, alcançou 93,33% de execução, segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Logística (SEIL). A autarquia informa investimento acumulado de R$ 130.159.304,89 e prevê liberação do trecho até o fim de fevereiro, condicionada à estabilidade do clima.
O trecho em obras tem 11,52 quilômetros e envolve tanto a implantação de uma nova pista em pavimento rígido de concreto, construída ao lado da pista atual, quanto a restauração da pista existente. A estratégia técnica adotada combina duplicação física com requalificação estrutural, buscando elevar capacidade de tráfego e durabilidade do pavimento. A expectativa é que o segmento passe a operar com duas faixas por sentido após a conclusão integral dos serviços complementares e da sinalização.
Na pista antiga, o DER/PR relata que houve intervenções no pavimento asfáltico para servir de base a uma nova camada de concreto por meio da técnica de whitetopping, solução que utiliza laje de concreto sobre estrutura existente previamente preparada. Esse tipo de abordagem tende a reduzir deformações plásticas típicas do asfalto em rotas com tráfego pesado, mas exige rigor em aderência, drenagem e tratamento de juntas para garantir desempenho a longo prazo.
Além do pavimento, o contrato inclui obras de arte e dispositivos de segurança. Foram executadas, conforme o órgão, uma segunda ponte sobre o Rio Coutinho, uma galeria celular em concreto e itens de iluminação rodoviária. Esses elementos são considerados críticos porque influenciam estabilidade, capacidade hidráulica e segurança operacional, especialmente em pontos de travessia e em trechos sujeitos a concentração de água, o que pode acelerar deterioração do pavimento e aumentar risco de aquaplanagem.
Na etapa final, os principais serviços pendentes incluem a implantação do sistema de drenagem, com prioridade para dispositivos superficiais, como sarjetas triangulares de concreto, além da conclusão da sinalização. A sinalização envolve pintura horizontal, placas verticais e instalação de dispositivos de segurança viária. A finalização correta desses itens é decisiva para liberar o tráfego com padrão adequado, já que drenagem e orientação são fatores diretos de redução de sinistros.
Também seguem serviços complementares, como plantio de grama entre pistas, instalação de abrigos de parada de ônibus e ajustes finais de acabamento. Embora pareçam periféricos, esses itens influenciam controle de erosão, organização de usuários vulneráveis e redução de travessias inseguras. A liberação do trecho, segundo o cronograma divulgado, depende de condições climáticas favoráveis, pois concretagem, cura e execução de sinalização são altamente sensíveis a chuva e umidade.
Comentário exclusivo
A marca de 93,33% é relevante, mas o “último 7%” em obras viárias costuma concentrar exatamente o que define segurança e desempenho: drenagem, juntas, sinalização e dispositivos de contenção. Em pavimento rígido, a durabilidade não depende apenas da espessura do concreto, e sim de drenagem eficiente e da integridade das juntas, selantes e barras de transferência. Se a água ficar represada, ela entra por juntas, reduz suporte e acelera fissuração, comprometendo vida útil.
O uso de whitetopping é tecnicamente consistente para reabilitar trechos com histórico de deformação do asfalto, mas exige controle fino de aderência e preparação da base. A pista existente precisa estar com patologias tratadas, sem bombeamento e com regularidade adequada, para que a laje de concreto trabalhe corretamente. Se houver falhas, a camada nova pode refletir trincas, perder apoio e gerar batidas e ruído estrutural. Em outras palavras: é solução robusta, mas não tolera improviso em execução.
A drenagem superficial por sarjetas triangulares é um ponto sensível em rodovias duplicadas porque define o caminho da água entre pistas e para fora da plataforma. O dimensionamento deve considerar chuvas intensas, declividades, pontos baixos e capacidade de descarga nas obras de arte, como galeria celular e pontes. Um erro típico é subdimensionar dispositivos de transição, gerando erosão em taludes e carreamento de finos. Isso aumenta manutenção e, pior, cria risco de perda de estabilidade do acostamento e do canteiro.
A segunda ponte e a iluminação rodoviária são ganhos operacionais importantes, mas só entregam valor se integrados ao projeto de segurança viária: defensas, barreiras, delineadores, sinalização de aproximação e tratamento de acesso a paradas de ônibus. Paradas mal posicionadas elevam risco de atropelamento e colisões traseiras, especialmente em rodovias de fluxo misto com caminhões. A engenharia precisa pensar no usuário real: ônibus parando, pedestres cruzando, motociclistas no acostamento e chuva à noite.
A previsão de liberação até fevereiro “se o clima ajudar” é tecnicamente plausível, porque cura do concreto, execução de juntas e pintura horizontal dependem de janela seca e temperatura adequada. Porém, a melhor prática é liberar apenas quando a obra estiver operacionalmente completa, com sinalização provisória robusta e auditoria de segurança pré-liberação. Em rodovia nova, o risco é o usuário interpretar “obra liberada” como “rodovia pronta”. Transparência sobre o que ainda está em execução reduz acidentes e evita judicialização por falhas de informação.
Por Pr. Rilson Mota
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