Florianópolis, 09 de janeiro de 2026
Os corpos de quatro jovens de Minas Gerais foram encontrados neste sábado (3) em uma área de mata em Biguaçu, na Grande Florianópolis, em Santa Catarina. Eles estavam desaparecidos desde a madrugada de 28 de dezembro, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. Familiares acompanharam diligências no estado e relataram que os rapazes tinham planos de trabalho, independência financeira e apoio à família, segundo informações divulgadas.
As vítimas foram identificadas como Bruno Máximo da Silva, 28, Daniel Luiz da Silveira, 28, Guilherme Macedo de Almeida, 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, 19. Conforme a Polícia Civil, o grupo foi visto pela última vez no Centro de Florianópolis. Os jovens teriam se mudado de Minas para Santa Catarina meses antes, em busca de emprego e oportunidades. A investigação apura circunstâncias do desaparecimento e do encontro dos corpos, sem conclusão divulgada.
De acordo com relato de familiares, parte do reconhecimento inicial foi possível por sinais particulares, como tatuagens, enquanto os procedimentos formais de identificação seguiam em andamento. Uma das mães afirmou que acompanhou as etapas em Santa Catarina e ajudou outros parentes no processo. A previsão informada por familiares era de traslado dos corpos para Minas Gerais entre a noite de domingo e a manhã de segunda-feira (5), para velório e sepultamento.
Rosa Maria Máximo, mãe de Bruno, descreveu o filho como afetuoso e preocupado com a família, com planos de melhorar de vida. Segundo ela, Bruno havia deixado Guaranésia (MG) em outubro, trabalhou em restaurantes e se preparava para iniciar, em janeiro, um novo emprego como soldador. A mãe relatou que ele era pai de duas crianças pequenas e mantinha contato frequente com os filhos, acompanhando a rotina mesmo à distância.
André Luiz da Silveira, pai de Daniel, disse que o filho havia prometido ajudar nas contas e tranquilizar a família. O jovem foi descrito como responsável e organizado, com expectativa de consolidar trabalho em Santa Catarina e enviar dinheiro para casa. Segundo o pai, Daniel teria pedido que os familiares não se preocupassem, porque teria emprego garantido e perspectivas de melhoria financeira. A família afirma que a mudança tinha objetivo de construir estabilidade, não de rompimento.
Elizabete de Macedo Almeida, mãe de Guilherme, relatou que o filho era trabalhador, educado e apaixonado por motos, e que falava com frequência sobre buscar novas oportunidades fora de sua cidade. Segundo ela, Guilherme havia decidido se mudar após a morte do avô, no fim de 2025, e mantinha contato diário com a família. A mãe resumiu a personalidade do jovem dizendo que ele “adorava a vida”, costumava passear com as irmãs e ligava para casa.
Pedro Henrique Prado de Oliveira foi descrito pela mãe, Sílvia Aparecida do Prado, como protetor e muito ligado às irmãs adolescentes. Ela afirmou que o filho era carinhoso, sociável e fazia planos para garantir futuro melhor à família. Segundo o relato, Pedro trabalhava em restaurante em Santa Catarina, falou com a mãe na noite de Natal e enviou mensagens carinhosas a familiares nos dias anteriores ao desaparecimento. O último contato ocorreu pouco antes de sumir.
A Polícia Civil informou que investiga o caso e que realizou procedimentos periciais e levantamentos para subsidiar diligências. A Polícia Científica também foi acionada para confirmação de identidade, e a apuração aguarda conclusão de exames de necropsia e etapas formais de identificação. Conforme divulgado, os corpos foram encontrados à margem de uma estrada em Biguaçu, com sinais de violência e em decomposição, e o inquérito deve avançar com laudos e cruzamento de informações.
Créditos: Reportagem extraída do portal de notícias NSC Total.
Comentário
Casos com desaparecimento seguido de localização em área de mata exigem, tecnicamente, separar três linhas de trabalho: reconstrução temporal (últimos movimentos), reconstrução espacial (trajetos e locais-chave) e reconstrução causal (como e por que ocorreu). A narrativa pública costuma se concentrar no achado, mas o núcleo probatório está no intervalo entre o último contato e o encontro. É nesse intervalo que surgem evidências digitais, testemunhais e materiais capazes de sustentar autoria, dinâmica e motivação.
A cena de localização do corpo é, do ponto de vista pericial, apenas uma parte: é preciso avaliar se aquele ponto é local primário (onde ocorreu o evento) ou local secundário (onde houve ocultação/abandono). Em ambientes externos, chuva, fauna e tempo degradam vestígios, exigindo documentação rápida, fotogrametria, delimitação de perímetros e busca sistemática por microindícios. A qualidade do laudo depende de cadeia de custódia impecável, pois qualquer ruptura abre espaço para contestação judicial e enfraquece a robustez do inquérito.
A identificação por tatuagens pode ajudar famílias no reconhecimento inicial, mas o padrão técnico para confirmação envolve procedimentos formais: impressões digitais quando possíveis, odontologia legal, DNA e confrontos documentais. Em casos de decomposição, a estratégia muda: prioriza-se odontologia e DNA, com coleta de amostras adequadas, controle de contaminação e comparação com familiares. A necropsia não serve apenas para constatar causa; ela indica cronologia aproximada, possíveis instrumentos e sinais compatíveis com dinâmica, sempre com linguagem técnica e cautelosa.
A etapa investigativa contemporânea é fortemente dependente de evidências digitais. A linha do tempo citada — contatos por aplicativos, deslocamentos ao centro urbano e últimas mensagens — costuma ser tratada com extração forense de celulares, análise de ERBs, geolocalização, cruzamento com câmeras, transporte por aplicativo e registros de entrada/saída de estabelecimentos. O desafio é integrar bases de dados de diferentes órgãos e estados, garantindo autorização judicial quando necessária e preservação dos metadados, que são tão importantes quanto o conteúdo das mensagens.
Há também um componente de vitimologia que precisa ser conduzido com rigor e sem estigmatizar: entender perfil laboral, rotina, rede social, locais frequentados e vulnerabilidades do contexto de migração por trabalho. Jovens recém-chegados tendem a depender de redes informais, o que pode aumentar exposição a golpes, extorsão e recrutamento para situações de risco. Uma apuração técnica deve mapear vínculos e circunstâncias de oportunidade, evitando conclusões precipitadas e preservando a dignidade das vítimas e das famílias.
Por fim, a comunicação pública em casos assim deve obedecer a dois critérios: precisão e não interferência. Precisão significa atribuir tudo a fontes oficiais ou familiares identificados, sem antecipar causa, autoria ou motivação. Não interferência significa evitar detalhes que comprometam diligências ou levem a acusações indevidas. O equilíbrio entre transparência e sigilo é essencial para segurança jurídica: um inquérito bem feito precisa de laudos consistentes, contraditório futuro e narrativa probatória coerente, não de conclusões emocionais.
Por Pr. Rilson Mota
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