O evento que comemora o Dia Nacional do Fusca (DNF), deve reunir quase 10 mil pessoas e cerca de 1 mil carros no próximo domingo (23), no bairro Pinheirinho, em Curitiba. Segundo a organização do encontro, o evento promoverá sorteios de brindes, premiações, mercado de pulgas, vendas de produtos e até shows de DJs.
De acordo com um dos organizadores do DNF 2022, João Paulo Simões, de 33 anos, a última edição do evento, realizada em 2020 no Autódromo Internacional de Curitiba (AIC), atraiu pelo menos 15 mil pessoas e quase 1 mil veículos.
“Agora, por conta das condições da pandemia, pretendemos reunir quase 10 mil pessoas. Já temos um grande público confirmado, inclusive de Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraguai e até mesmo da Argentina”, afirmou o coordenador de produção que vive em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Tradicionalmente, o Dia Nacional do Fusca é comemorado no dia 20 de janeiro, uma data que marca o início da produção do modelo no Brasil, em 1959, na fábrica da Volkswagen de São Bernardo do Campo, em São Paulo. O grande evento costuma reunir Fuscas das mais variadas cores, modelos e cores.

O organizador do DNF 2022 destacou em entrevista à Banda B Classic Cars que o evento possui um apelo social. Seguindo os passos das últimas edições, a celebração deste ano também arrecadará alimentos para doar a instituições de Curitiba.
“Essa ação já vem de antes, foi implementada pelos antigos organizadores. Como sabemos o quão importante é essa ação, resolvemos mantê-las”, disse.
João Paulo contou que na última edição do evento cerca de 1,2 mil kg de alimentos não perecíveis foram arrecadados. Agora, a meta é ultrapassar esta quantia.
Ao ser questionado se a organização almeja arrecadar uma boa quantia de mantimentos, mesmo que seja uma ação opcional dos participantes, Simões alegou que as últimas edições comprovam a presença da solidariedade entre o público.
“Até mesmo as pessoas que vão com os carros doam alimentos. A grande maioria dos participantes fazem doações, e tem pessoas que chegam até levar mais do que solicitamos. Já houve casos de pessoas entregarem cesta básica completa à organização”, relembrou.
O evento do Dia Nacional do Fusca não exige inscrição antecipada, já que o motorista que pretende expor seu carro paga R$ 30 no momento de entrada no espaço. Não haverá estacionamento para outros veículos.
Sobre a paixão por Fuscas, Simões, que é dono de um modelo fabricado em 1977 há 13 anos, afirmou que o Fusca “não é só um carro”.
“O Fusca foi um dos carros mais acessíveis. Pouquíssimas pessoas não tiveram contato com o modelo. É um carro que marca a vida do brasileiro. Costumamos dizer que os carros são desculpas para encontrarmos os amigos”, explicou.
O organizador destacou, ainda, a importância da participação da Banda B Classic Cars, que estará presente no evento com o Fusca 1300 da Banda B.
“A Banda B é uma vitrine. Conseguimos fazer um evento bacana, mas, tendo essa exposição que a Banda B gera, as pessoas de outras regiões podem ir ao evento após ficarem sabendo”, concluiu.
O afeto por Fusca
É verdade que o Fusca marcou gerações em todo o mundo. Contudo, ainda assim é possível encontrar jovens que se interessam pelo modelo, como é o caso da atendente Wanessa Gabriela Martins, de apenas 19 anos.
Moradora de Curitiba e bastante influente no meio automobilístico por intermédio das redes sociais, a jovem é dona de um Fusca 1972 Ocre Marajó. Em entrevista à Banda B Classic Cars, Wanessa manifestou sua relação com o modelo que chama de “Taz”.
“Ganhei meu Fusca do meu pai quando eu tinha apenas dez anos. Eu sempre fui apaixonada pelo mundo do automobilismo e ele [Taz] é o meu primeiro e único carro”, revelou.
Sobre o que lhe chama atenção em Fuscas, Martins explicou que o modelo em si já impressiona: “Talvez por ser um carro que possibilita modificações. Essa variedade de estilos no mundo dos Fuscas chama muito a atenção”.

O Fusca da jovem já teve vários nomes, segundo ela. Porém, o “Taz”, um personagem do diabo-da-tasmânia que procura comida e diversão, nasceu por meio de uma coincidência.
“Eu fui a um lugar e vi o boneco do Taz-Mania, da Looney Tunes. Bati o olho e escolhi. Inclusive, o Taz foi tema do meu aniversário de um ano de idade”, disse a atendente, que circula com uma pelúcia do personagem dentro do carro.
Os eventos fazem parte da vida de Wanessa, diz ela. Viagens a outras cidades e estados com o Taz também são paixões que carrega consigo.
Em relação ao total investido no Fusca até hoje, a jovem brinca e diz que já estima um gasto superior a R$ 22 mil.
“A gente brinca que quando chega aos R$ 15 mil paramos de contar, mas não calculei ao certo quanto já gastei com o carro”, relatou.
Wanessa, que tem quase 11 mil seguidores em uma rede social, também é criadora de um canal no YouTube, o Papo de Fusqueira, e um perfil do Instagram, o VW de Guria.
A ideia de criar o canal surgiu da vontade de interagir com o público que gosta de eventos e encontros voltados ao antigomobilismo.
“Eu entrevisto fusqueiras de todo canto do Brasil. Já estou com o projeto há mais de um ano e toda terça-feira faço lives. No canal, eu mostro as reformas que faço no Fusca, viagens e outras coisas”, informou.
Já sobre o perfil VW de Guria, a atendente disse que a criação do perfil partiu da vontade de construir um grupo de mulheres apaixonadas por modelos produzidos pela fabricante alemã Volkswagen.
“Criei o perfil por sentir a falta de um grupo de fusqueiras em Curitiba e Região Metropolitana. Hoje, já temos pouco mais de 80 mulheres no grupo”, revelou.
Questionada se acredita que contribuiu para a abertura de espaço para mulheres em um meio que é composto majoritariamente por homens, a jovem não hesitou em dizer que sim.
“Eu via que as mulheres precisavam também ter voz neste mundo do antigomobilismo. Acho que contribuí bastante para a inserção das mulheres neste universo.”
Wanessa concluiu afirmando que, assim como a Babda B Classic Cars, também comparecerá ao evento do Dia Nacional do Fusca com o Taz.

História do Fusca no Brasil
O Fusca começou a ser fabricado no Brasil em 1950 pela Brasmotor. Três anos mais tarde, em 1953, a Volkswagen chegou ao Brasil e assumiu a montagem do modelo. Em 1957, os primeiros Fuscas deixaram a fábrica de São Bernardo do Campo rumo ao sucesso de vendas.
Entre as várias mudanças na estética, na mecânica e inclusive no nome, a Volkswagen produziu mais de 3,3 milhões de exemplares de Fusca e tornou o modelo o primeiro grande sucesso da indústria automotiva brasileira.

No final de 1959, por exemplo, o Fusca já era o carro mais vendido do país. Em 1967, o motor 1.200 de 36 cavalos deu lugar ao 1.300, de 46 cv. Três anos depois, em 1970, o Fusca de número 1 milhão foi produzido.
Em 1983, o modelo perdeu a liderança de mercado após 24 anos. Em 1986, a Volkswagen deixou de produzir Fuscas no país. Em 1993, no entanto, a Volks voltou a produzir o Fusca, a pedido do então presidente Itamar Franco.
Três anos mais tarde, em 1996, o Fusca sai de linha pela segunda vez no Brasil.
Fonte: Auto Esporte
Dia Nacional do Fusca
Onde: UniCuritiba – Rodovia BR-116, km 106, 18805 – Pinheirinho, Curitiba
Quando: 23 de janeiro, das 7h às 17h
Entrada: R$ 30 para carros e gratuita para pedestres + 1 kg de alimento não perecível (não obrigatório)
Por Guilherme Lara da Rosa/BandaB






