Temporal desta terça-feira (29) provocou inúmeros estragos na Grande SP. Estação de trem em Mauá ficou completamente alagada e chegou a ter operação paralisada.
Uma mulher escorou um morro durante as chuvas em Santo André, no ABC paulista, na terça-feira (28) na tentativa de salvar a casa que ela mesma construiu.
As chuvas de verão têm prejudicado as pessoas que não têm condições de pagar IPTU e moram em áreas de risco, nas encostas dos morros, como na região do Parque Guaraciaba, região conhecida como Morro da Kibon.
Na terça-feira, o Globocop mostrou o alagamento no campo de futebol do bairro depois das chuvas e flagrou a cena de uma mulher sozinha tentando escorar a encosta do morro. Ela se arriscou no solo encharcado e com risco de deslizamento para salvar a casa onde mora.
“Se vier outra chuva, vou lá atrás de novo pra dar um jeito. Todo mundo que me conhece sabe que não desisto fácil, não”, disse Taciana Érica de Siqueira ao SP1 desta quarta-feira (29).
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/F/9/PazrDoTfSHTKP3j2eQCg/captura-de-tela-2021-12-29-as-16.37.54.png)
Taciana Érica de Oliveira escorou um morro após as chuvas em Santo André na terça-feira (28) para salvar a casa que ela própria construiu em uma encosta — Foto: TV Globo/Reproducão
“Começou a entrar lama por dentro dos buracos porque a parede ainda não é rebocada, e então caiu uma árvore bem grande, estourou as paredes, e só não acabou com tudo porque tem ferro por dentro. Estou com medo de outra árvore cair”, continuou.
Ela veio do Recife há três anos e estava construindo a casa sozinha. “Eu não percebi que estava morando ao lado de uma barreira. Quando vim ver, já tinha construído e não tinha como voltar atrás”, disse Taciana.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/j/y/WPQoRfSJW2MQJgE0nIIw/frame1.jpeg)
Tassiana Érica de Siqueira em frente a casa que ela mesma construiu, no Morro da Kibon, Santo André — Foto: TV Globo/Reprodução
A mulher não foi a única vítima dessa tempestade que atingiu a região metropolitana. José Sebastião da Silva também passou a madrugada tentando limpar a sujeira e refazendo os fundos da casa, que tem uma parte de madeira e outra de alvenaria.
Em nota, a Prefeitura de Santo André disse que está ajudando as vítimas do deslizamento e que recebeu 75 chamados para fiscalizar áreas de risco na terça-feira. A gestão municipal informou ainda que ninguém se feriu.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/2/t/WSt2ywTZqY4SeRJQEtrw/vitima-chuva-sp.jpg)
Desesperada, mulher escorou encosta para tentar salvar casa que construiu em SP — Foto: Reprodução/TV Globo
Áreas de risco
O último levantamento do Instituto Geológico mostra que a Grande São Paulo, fora a capital, tem cerca de 6 mil setores de risco. Guarulhos é a área com mais áreas de perigo – 610 – seguida por Itaquaquecetuba, com 581, e São Bernardo do Campo, com 551.
Santo André, onde fica a cidade da Taciana, tem 398. A região metropolitana tem entre 20% e 30% de moradias em situação de risco.
A Defesa Civil da capital também fez um levantamento neste ano sobre as áreas de risco da cidade. Nos últimos 11 anos o número de moradias nessas áreas subiu 20%, de 407 em 2010 para 492 em 2021. A situação se agravou mais no M’Boi Mirim, na Zona Sul, no Butantã, Zona Oeste, e São Mateus, na Zona Leste.
O professor de arquitetura e urbanismo da Unifesp, Kazuo Nakano diz que as cidades precisam de novas estratégias para evitar tragédias como em Santo André.
“Sinais de alerta, como ajudar, abrigar as pessoas, medidas para corrigir os problemas, os erros de ocupações, de construções em áreas de risco, e evitar novas construções em áreas de risco em encostas de morros e várzeas de rios inundáveis”, disse.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que monitora as áreas de risco, e que 33 mil famílias foram beneficiadas com obras nos últimos 4 anos nessas regiões.

Clube em Santo André é atingido por enxurrada durante fortes chuvas em SP
Chuvas na na Grande SP
As fortes chuvas que atingiram a Grande São Paulo na terça-feira provocaram uma enxurrada no Clube Atlético Aramaçã, em Santo André, na Vila Pires.
Um vídeo feito por moradores da região circula nas redes sociais e mostra o nível da água e a força com que ela passa pela entrada do estabelecimento.
A rua ficou completamente alagada e os carros estacionados foram arrastados.
Funcionários relataram à reportagem da TV Globo o pânico e medo quando a água começou a descer, por volta das 17h30.
Eles também afirmaram que não é a primeira vez que o clube sofre com estragos provocados pela chuva. O local está fechado nesta quarta para limpeza e devem contabilizar o prejuízo.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/n/R/pQY5E7TaGDF5Vpc7QvXw/whatsapp-image-2021-12-29-at-09.01.20-1-.jpeg)
Rua da entrada do clube ficou completamente alagada nesta terça (28) — Foto: Arquivo Pessoal
A forte chuva chegou a paralisar a circulação de trens da CPTM. A água invadiu uma estação em Mauá, e cobriu a linha 14-Turquesa da CPTM.
Foram três horas intensas de chuva em Mauá durante a tarde e muitos moradores perderam casas e pertences. A Câmara Municipal da cidade também ficou completamente embaixo d’água.

Na cidade de Mauá e na vizinha Santo André, o Corpo de Bombeiros registrou 8 deslizamentos e desmoronamentos de terra devido às chuvas.
Em um dos casos, uma casa onde moravam três pessoas foi atingida e destruída, mas ninguém ficou ferido. Na Grande São Paulo, foram, ao todo, 61 pontos de alagamentos.
Moradores e passageiros enviaram vídeos à TV Globo que mostram a estação Mauá da CPTM invadida pela água, com barro e sujeira. Os passageiros tiveram que esperar na plataforma a água baixar para saírem.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2021/t/N/JzxvFiSTybs3NFdO5Ygg/globo-canal-5-20211228-1800-frame-125551.jpeg)
Linha da CPTM fica alagada pelas chuvas em Mauá — Foto: TV Globo
Por Giba Bergamim Jr., g1 SP e TV Globo — São Paulo






