Família Abagge e demais acusados pela morte de Evandro também receberão pedido de perdão do governo do Paraná
A família Abagge e os demais acusados pela morte do menino Evandro Ramos Caetano, que foi encontrado morto em 1992, em Guaratuba, no Litoral do Paraná, também receberão um pedido formal de perdão do governo do Estado. A informação foi divulgada pela Secretaria de Justiça, Família e Trabalho nesta segunda (27), cinco dias após a divulgação de que o governo pediria desculpas para as famílias de Evandro e outro menino desaparecido na mesma época, Leandro Bossi, porque os crimes cometidos contra as duas crianças nunca foram desvendados de forma cabal, irrefutável e definitiva.
Ocorre que na época dos fatos, um grupo de legalidade questionável foi enviado a cidade pelo Estado e cometeu uma série de erros que geraram uma imensa sucessão de equívocos, contaminando toda a investigação. A assessoria de imprensa da secretaria lembra ainda que recentemente uma série documental exibida pela Globo Play, apresentou provas de que este grupo liderado por um oficial já falecido, torturou, dentro da mansão do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, os acusados para que confessassem o crime e ainda, em outro local, cometeu sevícias indescritíveis contra as mulheres que na época estavam sendo investigadas, forçando-as a assumir que teriam mandado matar o menino Evandro para praticar um ritual de magia negra.
Diante das novas revelações, a secretaria de Justiça do Paraná constituiu o Grupo de Trabalho “Caso Evandro – Apontamentos para o Futuro” que propõe uma série de medidas práticas para prevenir tortura estatal, combater violência contra crianças e agir em casos de desaparecimento de pessoas. Após assistir a série, ler o relatório, tomar conhecimento dos depoimentos espontâneos e ouvir os áudios da tortura, o secretário de Justiça, Família e Trabalho do Paraná, Ney Leprevost, formou convicção de que os acusados foram vítimas de gravíssimas violências físicas e resolveu pedir perdão também a eles pelos crimes de tortura cometidos no passado pelo Estado.
“Utilizar a máquina estatal para cometer tortura é crime. Neste caso vemos muitas vítimas: as crianças, seus pais, os acusados que foram torturados, pessoas que tiveram a vida profissional destruída, as instituições públicas que foram induzidas a erro, o município de Guaratuba que ficou anos e anos sendo discriminado e até o contribuinte paranaense que pagou por tudo isto. É a teoria de São Tomás de Aquino, tão ensinada nas faculdades de Direito, aplicada na prática: uma maçã podre fez toda investigação apodrecer”, afirma Ney.
Nos próximos dias, as famílias das crianças desaparecidas e os torturados do “Caso Evandro” irão receber cópias do relatório e cartas formais com pedido de perdão pelos erros cometidos no passado pelo Estado. O que, na prática, poderá servir para os advogados dos torturados nos pedidos de anulação do julgamento e para os pais das crianças acionarem o Estado na esfera cível pedindo indenizações pela sequência de danos sofridos.
Tribuna do Paraná






